Segunda-Feira, 25 de Maio de 2026

Trabalhador denuncia bullying rural com vespas e ganha indenização financeira




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Trabalhador rural Welson Monteiro de Melo processou e ganhou R$ 3 mil, em a ação que moveu contra empresa onde trabalhava em 2015. Ele alegou, no Judiciário, ter sofrido bullying, indo parar no hospital, após ataque de vespas.

Ele foi alvo de piadas entre os colegas de trabalho, em uma empresa de energia renovável, na zona rural de Alto Araguaia (420 Km ao Sul de Cuiabá), na divisa de Mato Grosso com Goiás.

Em meio a chacotas e ameaças inconsequentes, um colega jogou em direção a ele uma lata cheia de cotésia, uma espécie de vespinha utilizada na empresa para controle biológico de praga nas lavouras de cana de açúcar.

O resultado daquela “brincadeira” de mal gosto foi um trabalhador com inúmeras ferroadas. Todo empolado e com dores por todo o corpo, implorou por ajuda ao líder do seu setor para levá-lo à usina, mas nada foi feito. Em desespero, saiu pelo campo caminhando por sete quilômetros, embaixo do sol e aguentando as consequências do ataque de vespa. Ao chegar na usina, lavou-se na tentativa de amenizar a ardência e ainda teve que aguardar até o fim do dia para poder entrar no ônibus da empresa e chegar na cidade. Só então pode procurar um hospital para tratar as feridas.

Foi medicado e retornou ao trabalho no dia seguinte, mas voltou a passar mal por causa das picadas e foi levado para o Hospital de Alto Taquari, onde o médico atestou a necessidade de repouso de três dias. Aquele tipo específico de vespa é inimiga natural de outros insetos que se alimentam de planta e podem causar muitos problemas para suas vítimas. Uma colônia de vespinhas com 40 mil indivíduos, por exemplo, pode capturar mais de mil lagartas broca-da-cana por dia.

Como se não bastasse, o trabalhador levou uma suspensão por ter se envolvido na confusão e ainda teve seu pedido de ajuda para custeio da medicação negado pela empresa. Pagou tudo do seu próprio bolso. Por fim, recorreu à Vara do Trabalho de Alto Araguaia, que reconheceu os danos sofridos e a omissão da empresa.

Os empregadores foram condenados a pagar indenização por danos morais e materiais de 3 mil reais. “É de notório conhecimento que o ataque de insetos pode causar até a morte, caso a vítima possua sintomas decorrentes, como alergias, mas como vimos a empresa não se preocupou com eventuais consequências futuras que poderiam advir para o trabalhador”, ressaltou o juiz de Alto Araguaia, Juarez Portela.

 


Autor: AMZ Noticias com Gazeta Digital


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