Em depoimento prestado à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp/MT), a delegada Alana Souza Cardoso afirmou que a informação a respeito de supostas ameaças contra a vida do governador Pedro Taques (PSDB) foram repassadas à ex-secretária adjunta de Inteligência, a também delegada Alessandra Saturnino, pelo ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques. As investigações deste caso resultaram em interceptações em telefones de duas mulheres, que seriam, respectivamente, ex-amante e ex-secretária de Paulo.
Procurado, o ex-secretário Paulo Taques afirmou que não comentaria o caso. “Apenas reitero que, conforme disse a delegada Alana, não lhe pedi que fizesse interceptação telefônica em quer que seja. Aliás, não pedi a ela nem a ninguém”.
As então servidoras alvos das interceptações na modalidade "barriga de aluguel" no bojo de uma operação da Polícia Civil em 2015 foram a publicitária Tatiana Sangalli e Caroline Mariano. O foco das investigações seriam as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) que estariam planejando uma forma de atentar contra a vida do governador Pedro Taques.
A delegada Alana Cardoso prestou esclarecimentos, no dia 26 de maio, ao secretário de Estado de Segurança Pública Rogers Jarbas para explicar detalhes sobre as investigações e as escutas telefônicas realizadas. Na ocasião, afirmou que o pedido para investigar as 2 mulheres partiu do então secretário-chefe da Casa Civil Paulo Taques. Esclareceu, no entanto, que a opção por escutas telefônicas foi uma decisão interna da Força Tarefa denominada de Forti, montada com integrantes da Polícia Civil, Polícia Militar e Sistema Penitenciário de Mato Grosso (Sispen).
"A missão da FORTI era acompanhar por meio dos organismos de inteligência a movimentação dos presídios no Estado e uma das ferramentas utilizadas foi a interceptação telefônica; para a implantação da interceptação telefônica foi avençado com os promotores de Justiça do Gaeco que a interceptação seria realizada em parceria e que os áudios seriam ouvidos por servidores da PJC, PM e Sispen dada a especificidade dos alvos, sendo montada montada uma estrutura na própria Sesp para tanto", consta no depoimento.
A própria delegada Alana Cardoso ressalta no depoimento que não houve pedido de interceptação telefônica por parte de Paulo Taques. Afirmou que foi uma decisão dela juntamente com a delegada Alessandra Saturnino "diante da urgência e sensibilidade da situação, a qual envolvia supostamente o governador e um secretário de Estado". Garantiu ainda que a decisão foi eminentemente técnica.
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Autor: AMZ Noticias com Gazeta Digital