A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de preservar o mandato do presidente Michel Temer (PMDB) ao rejeitar a ação movida pelo PSDB por abuso de poder político e econômico nas eleições presidenciais de 2014, embora seja alvo de críticas e questionamentos, não foi surpresa para boa parte da classe política e de juristas que atuam na seara eleitoral. De Mato Grosso, os deputados federais Nilson Leitão (PSDB), Ságuas Moraes (PT) e o advogado Rodrigo Cyrineu sinalizaram, ao comentar o assunto em entrevista ao Gazeta Digital, que o resultado, definido pelo voto de minerva do presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, já era esperado.
Do ninho tucano, sigla que depois da derrota sofrida no pleito de 2014, questionou o resultado das eleições nos tribunais, Nilson Leitão mostra-se tranquilo ao falar sobre o resultado do julgamento que durou 4 dias. “O PSDB que entrou com a ação. Perdemos. Segunda-feira às 17 horas em Brasília o PSDB se reunirá para refletir nossas posições”, diz o parlamentar.
Líderes da base aliada de Temer avaliam que o resultado do julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer a favor do presidente dá um fôlego, mas não traz tranquilidade ao governo. Nilson Leitão concorda. “Sem dúvidas Temer ganha fôlego”, acredita.
Após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 31 de agosto do ano passado por crimes de responsabilidade fiscal, a sigla tucana se juntou à base de sustentação de Michel Temer com direito a ministérios. Em 17 de maio deste ano, quando a delação dos empresários da JBS/Friboi veio à tona junto com gravações comprometedoras contra Temer, o PSDB até ameaçou deixar a base, mas não o fez.
Dessa forma, a legenda, embora seja a autora da ação que pedia a cassação do registro de candidatura do hoje presidente, não tinha interesse que o pedido fosse acatado pelo TSE e Temer ficasse sem mandato. “Continuamos apoiando, temos 4 ministros no governo Temer. Eu discuto resultados políticos. Jurídicos cabe ao judiciário. Segunda discutiremos a permanência ou não”, enfatiza Nilson Leitão quando questionado pelo GD sobre a situação do partido hoje em relação ao governo do peemedebista.
Outro representante da bancada federal de Mato Grosso, o petista Ságuas Moraes já foi apoiador de Michel Temer e hoje é oposição. Ele também não acreditava na cassação da chapa Dilma-Temer. “Na verdade as contas de 2014 já tinham sido aprovadas pelo TSE. Ai o PSDB entrou com recurso para ser avaliado. Com certeza se a Dilma estivesse no mandato o resultado pela cassação seria bem grande. Como não é ela esse resultado foi só a confirmação do golpe”, comenta Ságuas Moraes.
“Não tenho argumentos suficientes pra dizer se está certo ou errado, mas é um resultado legítimo do TSE. Para manter a Constituição as instituições têm autonomia para decidir. Eu já esperava por esse resultado que estava anunciado. Antes do término do julgamento já se falava até no placar de 4 votos a 3. E ainda cabe recurso contra o resultado”, pondera o parlamentar.
Embora não critique a decisão no TSE, Ságuas Moraes diz que Temer não pode permanecer na presidência e espera que no Supremo Tribunal Federal (STF) coloque um fim ao mandato do peemedebista. “Esse processo era o menos problemático para o Michel Temer. O problema dele são as várias denúncias contra ele, principalmente agora com a gravação da JBS. O julgamento que precisa de atenção e ser decidido com muita seriedade é esse porque o Temer é um presidente criminoso e tem que responder por isso. São crimes gravados, documentados e não apenas denúncias feitas por delatores. Não há como questionar os crimes dele e dos comparsas”, sustenta o petista.
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Autor: AMZ Noticias com Gazeta Digital