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  Terca-Feira, 21 de Abril de 2026

LGBTs criticam deputada “Não adianta falar que tem amigo gay; tem que mostrar a que veio”




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Eleita madrinha da parada gay de 2012, e única dos 24 parlamentares com discurso de apoio à comunidade LGBT na Assembleia Legislativa, a deputada estadual Janaina Riva (PMDB) se viu criticada no meio ao ter um áudio vazado em que chama o governador Pedro Taques (PSDB) de “viado”.

No áudio, divulgado por ela mesma em um grupo de WhatsApp, a peemedebista diz: “Agora, tem que ter paciência. Porque quem mandou eleger esse viado pra governador? Taí agora o resultado”.

Ela chegou a pedir desculpas e negou ser homofóbica, mas o episódio levantou o questionamento, na comunidade gay, se o apoio da parlamentar não passa de “discurso político”.

Para Valdomiro Arruda, presidente do Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual, ligado à Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Cuiabá, falta à deputada “energia” para fazer os poucos projetos voltados aos LGBTs irem à votação no Legislativo.

“Tem que ter mais energia para se propor mais assuntos LGBT, mais propostas LGBT.  Lógico que poderia estar fazendo mais, até porque a Assembleia já barra todo tipo de projeto. Mas a demanda, também, é muito grande. A bandeira dela hoje é a RGA [Revisão Geral Anual] e a Mulher”, disse ao MidiaNews.

“Todos os movimentos precisam de deputados que possam trabalhar políticas públicas. Se cada deputado defendesse uma política pública, os movimentos estariam todos satisfeitos. Não estou dizendo que estou satisfeito só com o que a Janaina está fazendo, mas, o que ela tenta fazer, já nos ajuda”, afirmou.

Representante da OAB-MT (Ordem dos Advogados do Brasil) no Conselho Municipal, o defensor público João Paulo criticou os poucos projetos na Assembleia. E citou que no ano passado, o Legislativo derrubou decreto de Taques que criava o Conselho Estadual para Combater a Discriminação a Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais e Transgêneros (CELGBT).

O conselho deveria formular e propor diretrizes de ações governamentais, em âmbito estadual, voltadas para o combate à discriminação e defesa dos direitos do público LGBT.

À época, Janaina e o então líder do Governo Wilson Santos (PSDB) foram os únicos favoráveis e chegaram a ser vaiados por líderes religiosos que acompanhavam a votação. O decreto, entretanto, foi derrubado por unanimidade.

“O que eu propus no conselho municipal é que ela reverta essa atitude depreciativa para a classe LGBT em política pública. Não adianta falar que tem amigos gays e que não agiu com preconceito. Ela, enquanto deputada, tem que mostrar a que veio. Não é simplesmente dizer que já foi vaiada, que defende gay, não é só criar espaço para a diversidade na Assembleia. É necessário uma política pública mais combativa”, afirmou.

O defensor ressaltou que Mato Grosso é um dos Estados mais perigosos para população LGBT. E que os deputados podem, sim, fazer maiores esforços para mudar a situação. Ele citou que o áudio de Janaina tem potencial perigoso à comunidade, especialmente por vir de uma figura pública.

“O episódio não deixou de ser deplorável, não só por vir de uma parlamentar, mas de uma representante do povo em que a opinião é tão facilmente veiculada. Xingamento em nenhuma esfera é legitima, pelo decoro. A retratação, embora seja válida, tem que voltar a uma postura mais efetiva de combate a toda forma de homofobia. Somos um dos Estados que mais mata. Ano passado, foi o segundo. É preciso avançar”, disse.

Tanto Valdomiro, quanto João Paulo, afirmaram que o áudio em que Janaina chama o governador de “viado” foi ofensivo à comunidade gay.

“Fica difícil engolir uma pessoa que defende o movimento LGBT chamar o outro de viado. Na comunidade, houve uma divisão. Eu vejo que Janaina foi errada. Como parlamentar, foi errada. Mas ela tem um histórico de trabalho. Não se acha outro deputado que fez uma linha em defesa dos LGBT. Esse deslize não apaga seu histórico. Errar é humano”, afirmou Valdomiro.

 


Autor: AMZ Noticias com Midia News


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