O secretário Chefe da Casa Militar, Evandro Ferraz Lesco, foi preso no final da tarde de ontem, sexta-feira (23), por suposto envolvimento no esquema de grampos ilegais instaurado no âmbito do Governo do Estado. A prisão foi determinada pelo desembargador Orlando Perri.
Além dele, outros três militares também tiveram a prisão preventiva decretada por serem suspeitos de atuar no esquema de escutas ilegais. Trata-se do coronel Ronelson Jorge de Barros, tenente-coronel Januário Batista e ainda o cabo Torezan.
Também tiveram a prisão decretada o corregedor-geral da PM, coronel Alexandre Corrêa Mendes, e o diretor de Inteligência da Corporação, tenente-coronel Victor Paulo Fortes Pereira. Estes dois últimos foram citados pelo governador Pedro Taques em um ofício enviado ao presidente do Tribunal de Justiça, Rui Mendes, por supostamente vazar uma operação com busca e apreensão e possíveis cumprimentos de mandados de prisão contra PMs investigados por escutas clandestinas ilegais.
Por participarem do suposto esquema de escuta ilegal agora já são seis militares presos. Em meados do mês passado o ex-comandante geral da PM, coronel Zaqueu Barbosa, e o cabo Gérson Luiz Correia Junior foram detidos.
As prisões foram decretadas com base nas investigações realizadas no âmbito da Polícia Militar e Judiciário, após denúncia do promotor Mauro Zaque. O esquema é conhecido como "barriga de aluguel" e ocorreu na comarca de Cáceres num processo que investigava tráfico de drogas.
A denúncia foi feita por Zaque a Procuradoria Geral da Republica. De acordo com ele, cerca de 120 pessoas foram grampeadas ilegalmente. Entre eles, adversários políticos, jornalistas, advogados e empresários. O inquérito sobre o caso está na Procuradoria Geral da República, sob comando do procurador Rodrigo Janot.
OUTRO LADO - Após a prisão do comando da Casa Militar, o governo do Estado emitiu uma nota afirmando que respeita a decisão judicial, “mas ressalva que os coronéis PM Evandro Lesco e Ronelson Barros gozam da total confiança do Governo, e esclarece que, apesar da decretação das prisões, as investigações estão em fase inicial e não há, até onde seja do conhecimento do Governo, nenhum ato que desabone suas condutas de militares e agentes públicos honrados e probos”, segundo a nota.
Com a prisão, o secretário - Lesco - e do secretário adjunto da Casa Militar - Ronelson Barros – foram afastados provisoriamente dos cargos pelo governador Pedro Taques, sem remuneração, até que se esclareçam as investigações sobre ambos.
O coronel Wesley de Castro Sodré, atual Comandante Regional do CR 7 (Tangará da Serra e região) foi nomeado para responder interinamente pela Chefia da Casa Militar.
“O governador acredita na Justiça e nas instituições democráticas, reitera sua convicção de que a verdade prevalecerá, e que ao final das investigações os verdadeiros culpados serão identificados e punidos na forma da lei”, conclui a nota do Governo.
Autor: AMZ Noticias com Diario de Cuiaba