O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, já se prepara para viajar aos Estados Unidos com o objetivo de reestabelecer as exportações de carne bovina in natura (fresca). O embarque ocorrerá, segundo o próprio ministro, assim que estiver em vigor no Brasil a nova metodologia de inspeção “ainda mais rigorosa”. A Instrução Normativa (IN) sobre o assunto será o ponto de discussão entre os dois países.
A viagem se tornou necessidade desde a última quinta-feira, quando as autoridades sanitárias dos Estados Unidos anunciaram o embargo de 100% da carne bovina in natura originada no Brasil, conforme o DIÁRIO publicou na edição de ontem. O Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar (FSIS) norte-americano constatou a presença de abcessos em alguns cortes, nódulos provocados pela reação à vacina contra febre aftosa. Como o Brasil exporta cortes do dianteiro bovino, local onde a dose é aplicada (tábua do pescoço), os sinais foram detectados pela fiscalização daquele país.
Outra decisão anunciada pelo ministro ainda na noite de quinta-feira foi e de abrir imediatamente uma sindicância para ver o tipo de reagente utilizado e se, de fato, ele está causando esses resíduos nas carnes enviadas para lá. Segundo ele, o abcesso pode ser resultado de reação a algum componente da vacina contra a febre aftosa.
O ministro explica que irá com sua equipe técnica para fazer as discussões necessárias a fim de restabelecer as importações. “Os Estados Unidos foram uma grande conquista da produção pecuária brasileira. Vamos lutar para retomar a venda de carne fresca ao país, por ser um mercado muito importante”.
Maggi reiterou ainda que o Mapa está atento à questão. “Não é um assunto que surgiu hoje. Tanto que já havíamos feito a suspensão voluntária de cinco plantas para evitar embargo, mas infelizmente não foi possível. Agora vamos correr atrás, vamos tentar resolver esse assunto o mais breve possível, já que a pecuária brasileira passa por um momento de dificuldade com preços baixos para os produtores e o mercado norte-americano é importante para manter as cotações de bovinos no Brasil”.
Desde que as autoridades daquele país comunicaram a detecção de sinais de reação à vacina nos cortes importados, isso em 14 de junho, o Mapa descredenciou de forma preventiva, cinco das 15 plantas frigoríficas habilitadas a exportar carne in natura para os EUA. “Assim que recebemos a informação sobre a presença de abcessos nos cortes, tomamos essa providência. O autoembargo foi uma medida preventiva e estratégica para não se interromper os embarques”.
As unidades suspensas em 16 de junho pelo próprio ministério foram as da Marfrig localizadas em Paranatinga (MT), São Gabriel (RS) e Promissão (SP) e da JBS a unidade em Campo Grande (MS) e do Minerva em Palmeiras de Goiás (GO).
Em Mato Grosso estão habilitadas para enviar carne in natura para o país norte-americano apenas as plantas frigoríficas da JBS em Barra do Garças e da Marfrig no município de Paranatinga.
MERCADO – “O Brasil muito provavelmente é o único país que exporta para os EUA que tem uma condição sanitária de livre de febre aftosa, porém com vacinação", diz Blairo Maggi.
O ministro Maggi disse ainda que desde o momento em que os Estados Unidos abriram seu mercado para a carne bovina in natura brasileira passou haver pressão por parte dos produtores norte-americanos para que "haja embargo". “Desde junho de 2015, quando houve o anúncio de que os Estados Unidos iriam importar carne fresca do Brasil, nós passamos a exportar para o nosso maior concorrente no mundo. E, há uma pressão muito grande por parte dos produtores locais para que haja embargo, que não se permita a chegada de carne brasileira".
Maggi frisa também "é importante dizer que nós temos um mercado novo, um mercado ao qual não estávamos acostumados”. Além disso, o sistema de fiscalização sanitária norte-americano é reconhecido por seu alto nível de exigência, e por isso serve de balizador para outros países. A credencial para exportar aos EUA abre automaticamente as portas de outros mercados pelo mundo à carne brasileira.
Até junho de 2015, quando o acordo foi confirmado, o Brasil só exportava cortes industrializados e processados, conhecidos também como corned beef.
COMUNICADO – Com a justificativa de “preocupações com a segurança do mercado norte-americano”, o secretário de agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, contou que desde a deflagração da Operação Carne Fraca, em março, que acabou expondo a fragilidade operacional do sistema sanitário do Brasil – por meio de fraudes dentro das plantas frigoríficas -, o Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar (FSIS) passou a inspecionar 100% de todas as carnes e derivados que chegavam aos EUA vindos do Brasil. Nessas fiscalizações eles barraram a entrada de 11% do total vistoriado. “O percentual é alto comparado à taxa de rejeição de 1% dos produtos que vem de outros países. Desde a implementação dessa inspeção de 100% dos produtos recebidos, o FSIS recusou a entrada de 106 lotes de carne brasileira – cerca de uma tonelada – sob a alegação de preocupação com a saúde pública, condições sanitárias e problema de saúde dos animais.
Quando a Operação Carne Fraca foi deflagrada e gerou anúncios de embargos de vários países, os Estados Unidos mantiveram as portas abertas ao consumo da carne in natura vinda do Brasil.
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Autor: AMZ Noticias com Diário de Cuiabá