O Piloto do avião interceptado com 662 kg de cocaína, Apoena Índio do Brasil Siqueira Rocha disse nesta quarta-feira (28) que está arrependido de transportar a carga. A declaração foi feita durante audiência de custódia realizada na sede da Justiça Federal, em Goiânia. A sessão determinou que o condutor e o passageiro da aeronave sigam presos.
"Estou arrependido. Fiz isso porque estava precisando de dinheiro. Estava desempregado, perdi meu carro, apartamento em briga judicial, contas atrasadas. Achei que essa seria uma chance de desafogar as contas", declarou ao juiz.
O juiz Manoel Pedro Martins de Castro Filho presidiu a sessão, que começou por volta das 11h30 e terminou ao meio dia. O advogado da dupla, Emerson Vita, pediu a aplicação de medidas cautelares alternativas. A solicitação foi negada pelo magistrado, que concluiu ser necessário manter a prisão preventiva da dupla.
"Nosso embasamento para manter a prisao preventiva foi a grande quantidade de entorpecente e o desrespeito a uma ordem de aterrissar no aeroporto mais próximo, caracterizando a periculosidade", explicou o juiz ao G1.
Durante a sessão, o outro passageiro do avião, Fabiano Júnior da Silva Tomé, afirmou que trabalha como mêcanico de avião e reforçou o que havia dito em depoimento à Polícia Federal, que era o dono da aeronave abatida.
Para a PF, Fabiano Júnior ainda alegou que teria comprado a avião por R$ 500 mil no último dia 26 de maio, tendo pago metade do valor em espécie. Ainda segundo relato do preso, ele receberia R$ 40 mil para fazer o transporte da cocaína.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou ao G1, por meio de nota, que a aeronave está registrada no nome de Jeison Moreira Souza. O órgão relatou ainda que o piloto preso pela PF “possuía licença, estava com a habilitação válida e o Certificado Médico Aeronáutico (CMA) em dia”. Já o segundo preso não tem registro como piloto.
Fabiano também disse que está arrependido e aceitou o serviço porque está desempregado e precisa sustentar a família. Ele também alegou que mentiu em alguns pontos.
"Eu disse tudo espontaneamente, mas algumas coisas foram mentiras, como o destino da droga. Era pra ser entregue perto de Barra do Garças, mas a localização estava errada, a gente não achou, ficamos dando voltas e fomos interceptados", relatou.
Depois da audiência de custódia, Apoena e Fabiano foram levados para o Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. Agora, a defesa espera a conclusão do inquérito policial para tomar novas medidas.
"Vamos aguardar a conclusão das investigaçõeses e depois pedir a revogação da prisão", disse o advogado ao G1.
Percurso
Após analisar o GPS do avião interceptado, a Polícia Federal informou à TV Anhanguera que a aeronave saiu de Cuiabá às 4h de domingo (25) e chegou à Bolívia às 6h40. Ainda segundo a corporação, o avião decolou uma hora depois com destino a Jussara, no noroeste goiano, onde foi interceptado pela FAB.
Em depoimento à PF, o piloto da aeronave informou que receberia R$ 90 mil pelo transporte da droga. O detido disse ainda que relatou plano de voo falso à FAB, informando que estava fazendo um treinamento saindo de Cuiabá para a Fazenda Tucunaré. O condutor também admitiu à corporação que mentiu sobre plano de voo da volta ao Brasil, ao dizer que saiu da Fazenda Itamarati Norte, arrendada pela Amaggi, empresa da família do ministro da Agricultura Blairo Maggi, no Mato Grosso.
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Autor: AMZ Noticias com G1