O ex-deputado estadual José Riva (sem partido), negou ter denunciado o ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP) junto à Procuradoria Geral da República (PGR). A informação é do Jornal o Estado de São Paulo que circulou nesta segunda-feira (10), onde diz que o ex-parlamentar teria afirmado em sua delação premiada, junto à PGR e que Maggi teria pago R$ 260 milhões em precatórios para a construtora Andrade Gutierrez em troca de propina para garantir a compra de apoio de deputados estaduais durante a sua gestão no governo do Estado.
"Isso é totalmente inverídico. Eu nunca fiz um interrogatório sobre isso, nenhum depoimento. Nunca fiz confissão, nada", disse José Riva.
Já o advogado de defesa do Riva, Rodrigo Mudrovitsch, emitiu uma nota dizendo que o seu cliente nunca mencionou o assunto trazido à tona pelo Estadão. “A defesa de José Riva, em atenção ao que foi divulgado na data de hoje pelo jornal Estadão, informa que: 1. José Riva não firmou acordo de colaboração 2. José Riva nunca prestou depoimento com as informações mencionadas na reportagem”, diz a nota.
Já o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Blairo Maggi (PP), afirmou desconhecer as denúncias reveladas pelo Estadão.
"Não conheço esse assunto. Preciso ver o processo. As delações são assim ultimamente. As pessoas falam as coisas e depois tem que sair correndo atrás para ver o que é e se defender. Eu não li nada a respeito ainda", disse o ministro durante palestra nesta manhã (10) na 53º Expoagro de Mato Grosso.
Maggi também afirmou que a denúncia de suposto mensalinho a deputados do Legislativo já é denúncia antiga e espera que a Justiça investigue os fatos. "Isso já é denúncia antiga. Saiu há mais de um mês atrás. Estou deixando a Justiça cuidar disso, eu não tenho que ficar respondendo a cada delação que tem aí. As pessoas hoje para sair dos seus problemas acabam empurrando para outras pessoas. Eu não conheço esse assunto, não tinha isso, nunca teve. O tratamento com a Assembleia sempre foi o mesmo e vai continuar assim", pontuou.
De acordo com o Estadão, os pagamentos de precatórios foram realizados entre março de 2009 e dezembro de 2012. Blairo foi governador de Mato Grosso por dois mandatos consecutivos, entre 2003 e 2010. O dinheiro, segundo o ex-parlamentar, abasteceu uma conta-corrente usada para pagar deputados estaduais e integrantes da base em troca de apoio ao governo. O jornal O Estado de S. Paulo apurou que a negociação do acordo de colaboração de Riva com a PGR foi finalizado na sexta-feira passada. O ministro negou as acusações e afirmou que os pagamentos de precatórios seguiram o "rito legal".
Segundo Riva, o pagamento dos precatórios era apenas parte de uma manobra financeira para comprar a adesão dos deputados à base.
O delator narrou um encontro do qual participaram Maggi, o então secretário da Fazenda de Mato Grosso Éder Moraes e o ex-governador Silval Barbosa, sucessor do ministro da Agricultura no Executivo mato-grossense. Foi nessa reunião que ficou acertado o esquema do precatório.
Segundo Riva, o então governador era contrário à manobra financeira em um primeiro momento, mas, após a reunião, cedeu e aceitou autorizar a transação. Para que os valores chegassem até o operador, a Andrade Gutierrez teve de assinar, segundo o delator, um contrato de cessão de créditos com a Piran Participações e Investimentos, empresa da família do empresário Valdir Piran.
O acordo previa, de acordo com os relatos de Riva, que a construtora cedesse seu crédito de precatórios a Piran com deságio de 54%. Com isso, dos R$ 260 milhões pagos pelo governo de Mato Grosso à empreiteira, R$ 104 milhões foram parar nas contas usadas pelo operador do esquema.
Autor: AMZ Noticias com Diário de Cuiabá