Terca-Feira, 02 de Junho de 2026

Cuiabá registra aumento de 94% do número de estupros em apenas 01 ano




COMPARTILHE

Em Cuiabá 33 mulheres foram estupradas somente nos seis primeiros meses deste ano segundo levantamento da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). O número representa um aumento de 94% se comparado ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 17 estupros na Capital. Em todo Estado no primeiro semestre deste ano foram 125 estupros e na cidade de Várzea Grande foram sete.

Os dados mostram ainda o aumento de outros crimes contra a mulher em Cuiabá. Uma média de 12 mulheres são ameaçadas diariamente na cidade. No primeiro semestre deste ano, crimes desta natureza já somam 2.257. Em seguida aparece lesão corporal com 935 registros, injúria com 903, 491 ocorrências de difamação, 30 tentativas de homicídios e quatro mortes.

A cidade de Várzea Grande também tem aumentado os registros de crimes contra a mulher. Já são 1.095 ameaças neste ano, 480 lesões corporais, 343 injúrias, 145 difamação, nove tentativas de homicídio e duas mortes. Em todo Estado 54 mulheres são ameaçadas por dia, foram 9.929 registros. Foram contabilizadas ainda 4.862 ameaças, 2.335 lesão corporal, 1.526 ocorrências de difamação, 156 tentativas de homicídio e 35 mulheres mortas.

No ano passado em todo o Estado foram registradas foram 43.804 ocorrências de crimes contra a mulher, em 2015 eram 34.720 registros. No que diz respeito às ameaças, foram notificados 19.402 casos no ano passado, com 15.791 em 2015. As lesões corporais aconteceram 9.795 vezes, e 7.680 em 2015. Na capital do estado no ano passado foram 12.049 episódios, com um aumento de 765 do ano anterior. Na vizinha Várzea Grande, registrou-se no ano que passou 4.313 ocorrências, com acréscimo de 826 em comparação a 2015.

Estupros – Um fato tem chamado atenção das autoridades, a incidência de estupro de mulheres, alguns na condição de vulnerabilidade. Tanto que a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) de Cuiabá criou o Núcleo de Atendimento a Violência Sexual. Em funcionamento desde o mês de março, o núcleo atendeu 31 casos gerais de estupros até o mês de junho. Entre as ocorrências, estão casos de mulheres em condições vulneráveis que foram violentadas depois de serem dopadas em locais públicos como festas ou boates e lavadas para outro lugar, onde acordam no dia seguinte ou horas depois percebendo que foram estupradas.

A delegada da Polícia Civil, Jozirlethe Magalhães Criveletto, titular da DEDM, explica que a Delegacia tem observado muitos casos com a mesma narrativa, de vítimas que contam terem sido violentadas e, em alguns, não somente por um homem, mas por mais de um agressor. Conforme a delegada, muitos homens tem se valido da condição vulnerável da vítima para cometerem estupros.

A delegada diz ainda que apesar de ter entendimento que o crime é um dos piores a ser praticado contra uma pessoa, a sociedade ainda se vê incrédula para acreditar que realmente acontece dessa forma e até enxerga com certa naturalidade ou se questionando se a ação criminosa não foi provocada pela vítima porque ela estava se divertindo em uma festa, bebendo e ou mesmo usando uma roupa sensual.

“Esse é o crime que mais se culpabiliza a vítima. É o tipo de crime, que mais a sociedade se pergunta e se questiona sobre o comportamento da vítima e não o comportamento do autor”, analisa.

MULHER E MÍDIA - No dia 04 de agosto no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil será realizado o seminário “Mulher e Mídia” das 8 às 17 horas. Com palestras, debates e painéis de discussão, o seminário é realizado pela Defensoria de Mato Grosso com apoio de várias entidades de defesa da mulher. Informações podem ser obtidas pelo telefone (65)3613-8204. 

“Muitas vezes as notícias veiculadas na mídia prejudicam o gênero feminino. O seminário possui a finalidade de fazer com que a mulher não seja vista como culpada nos delitos que ocorrem contra elas, também. Há necessidade da compreensão do sofrimento do gênero feminino nas variadas situações cotidianas. A mulher ainda é tratada como ser humano de segunda categoria, não sendo respeitada por boa parte da sociedade. A preocupação do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública é grande quanto aos preconceitos sofridos pelas mulheres, motivo da realização do seminário”, confirma a defensora pública Rosana Leite.

 

 


Autor: Redação AMZ Noticias


Comentários
O Jornal da Notícia não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros.

Nome:
E-mail:
Mensagem:
 



Copyright - Jornal da Noticia e um meio de comunicacao de propriedade da AMZ Ltda.
Para reproduzir as materias e necessario apenas dar credito a Central AMZ de Noticias