Quarta-Feira, 10 de Junho de 2026

Ex-secretário Eder Moraes diz que foi enganado por Promotor de Justiça




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Ao negar ter recebido R$ 6 milhões do ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP) e do ex-governador Silval Barbosa para mudar o seu depoimento junto ao Ministério Público Estadual (MPE), o ex-secretário de Estado de Mato Grosso, Eder Moraes, acusou o promotor de justiça Mauro Zaque, de tê-lo enganado em seus depoimentos.

"A mudança e a retratação do meu depoimento no Ministério Público Estadual, ela ocorreu única e exclusivamente porque eu fui enganado pelo Ministério Público Estadual", disse ao telefone.

Segundo o ex-secretário, o promotor teria indicado o advogado com o qual trataria do depoimento. “O promotor à época, Mauro Zaque, me indicou o advogado. Ele me chamou lá no Ministério Público e me disse: olha, eu não aceito o advogado A, B e C. Contrata esse advogado que eu estou indicando para você”, conta. Eder diz que o advogado indicado foi o ex-desembargador e ex-presidente do Tribunal de Justiça e Mato Grosso, Paulo Lessa.

O ex-secretário lembra que, na época da negociação do depoimento, estava emocionalmente abalado por ter sido preterido no governo de Silval Barbosa (PMDB), apesar do esforço dispensado nas pastas em que ocupou cargos (Sefaz, Casa Civil e Secopa), e também por não ter sido indicado ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), conforme havia sido lhe prometido, politicamente, na gestão anterior a do peemedebista.

“Eu fiz um trabalho premiado na Secretaria de Fazenda, mas fui retirado porque queriam afrouxar as coisas. Aí fiz um trabalho premiado na Casa Civil, fui retirado porque não estava compactuando com algumas ordens. Aí fui para a Copa [Secopa] e até adoeci de tanto que eu trabalhei, coloquei tudo e depois fui retirado também porque não compactuava com algumas situações, então tudo isso me deixou chateado. E além de tudo isso, não cumpriu o Silval Barbosa com uma indicação minha para o Tribunal de Contas. Então não se fala em compra de vagas, é apenas a indicação”, explica.

A explicação de Eder vem à tona por conta da delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), homologada no último dia 9 de agosto pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux.

Nela, Silval conta que Eder teria cobrado R$ 12 milhões para mudar o depoimento feito no MPE sobre o esquema de compra de vagas no Tribunal de Contas do Estado (TCE) com aval do então governador Maggi em 2009. E que, diante disso, Blairo e Silval combinaram repassar apenas R$ 6 milhões, em duas parcelas de R$ 3 milhões.

Blairo Maggi e mais sete pessoas continuam com R$ 4 milhões bloqueados pela Justiça por conta da acusação de compra de vaga no TCE-MT. De acordo com a ação, em 2009 o então deputado estadual Sérgio Ricardo teria pago R$ 4 milhões ao conselheiro do TCE, Alencar Soares Filho, para ocupar sua cadeira no TCE.

Para descaracterizar o ato ilícito, Alencar teria devolvido a mesma quantia a Ricardo, dinheiro oriundo de uma factoring, com intermediação de Eder Moraes e aval do governador Blairo Maggi. Alencar também teria recebido outros R$ 4 milhões das mãos de Gercio Marcelino Mendonça Junior, conhecido como Júnior Mendonça, a pedido de Eder Moraes e com o consentimento de Blairo Maggi, conforme a denúncia.

 


Autor: AMZ Noticias com Diario de Cuiaba


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