Terca-Feira, 21 de Abril de 2026

Taques cita "orgulho de inimigos" e diz não temer a volta de João Arcanjo




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O governador Pedro Taques (PSDB) afirmou que não teme o retorno a Cuiabá de um de seus maiores inimigos, o ex-comendador João Arcanjo Ribeiro, marcado para ocorrer ainda nesta semana.

Como procurador da República, Taques foi responsável por investigar e pedir a prisão do ex-bicheiro, que era considerado o chefe do crime organizado de Mato Grosso até 2002, quando foi deflagrada a Operação Arca de Noé, da Polícia Federal.

Arcanjo está preso na Penitenciária de Segurança Máxima de Mossoró (RN) e sua transferência para Cuiabá foi determinada pelo juiz federal Orlando Donato Rocha.

“Prendemos Arcanjo. Ele ficou 14 anos preso e, ao que consta, essa semana chegará em Cuiabá. Cabe à segurança resolver isso. Sou governador do Estado, não vou parar meu trabalho em razão disso. Não tenho tempo para ter medo. Fui eleito para fazer as transformações necessárias no Estado”, disse Taques, ao ser questionado sobre a volta de Arcanjo, durante entrevista ao programa SBT Comunidade.

O governador disse ainda se orgulhar dos trabalhos realizados por ele à época em que era procurador e dos inimigos que possui.

“Ele sempre foi meu inimigo, não é de agora. Tenho orgulho dos meus inimigos. Fiz trabalho, não só em Mato Grosso, mas em outros Estados da federação, dos quais me orgulho. Não tenho vergonha do meu passado, nem um pouco”, afirmou o governador.

Repasses a municípios

 Ainda durante a entrevista, o governador falou sobre sua relação com os Municípios e citou que o Governo tem conseguido aumentar os repasses às prefeituras, mesmo diante da crise econômica no País.

Ele citou, como exemplo, repasses de quase R$ 600milhões oriundos do Fethab (Fundo Estadual de Transporte e Habitação), além da destinação de parte dos valores frutos de acordo firmados entre o Estado e empresas como a JBS e a Votorantim.

“Se compararmos os números da nossa administração com a gestão passada, ele [repasse a prefeituras] vem aumentando de 2015 pra cá. A vida se dá nos Municípios, é um buraco a ser tapado, um posto de saúde que precisa ser reformado. Por isso estamos aumentando esses repasses”, disse.

“Antes os valores eram desviados, eram roubados. Agora estamos investindo mais, melhor e tendo maior resolutividade. Vamos juntos superar essa crise”.

“Delação não pode ser chantagem”

O fato de ter sido citado na delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) também foi abordado durante a entrevista.

Taques reiterou que jamais recebeu qualquer tipo de recurso financeiro de seu antecessor e disse que as únicas conversas que manteve com Silval tiveram caráter “institucional”.

“O Silval reconhece que nunca pedi dinheiro a ele. Ele diz que nunca me deu dinheiro. Cidadão, você me conhece, sabe de meu passado e meu presente. Tendo em conta meu passado, não tenho medo do meu futuro. Tenho trabalhado muito para que Mato Grosso possa encontrar seu lugar na História. Não me confundam com essa bandalheira que está sendo revelada aí”, afirmou.

O governador também defendeu o instrumento da delação premiada, mas disse que deve ser vista de forma cautelosa e não pode ser ser usado como “instrumento de chantagem”.

“Não há instrumento melhor na investigação que a delação. Mas não pode ser instrumento de vingança, de negociação. A delação é importante, mas o cidadão não pode roubar R$ 1 bilhão e devolver R$ 86 milhões e ficar acusando sem provas”, afirmou.

Teto e “quebradeira” em Mato Grosso

Por fim, o governador afirmou ser importante a aprovação, pela Assembleia Legislativa, da Proposta de Emenda a Constituição (PEC) do Teto de Gastos.

O texto, entre outros itens, impõe condição para a Revisão Geral Anual (RGA), impede a concessão de incentivos fiscais e determina que o Governo apresente uma reforma administrativa, incluindo o programa de incentivo à demissão voluntária.

“Essa PEC é necessária sob pena de nós atrasarmos o salário dos servidores. São R$ 600 milhões por mês que o Estado injeta na economia”, disse o governador, ao afirmar que o não pagamento de salários poderia gerar uma reação em cadeia no Estado.

“Aí o cidadão não paga a marmita, não paga a loja, não paga a carne. Isso pode significar a quebradeira no Estado de vários comerciantes. Isso não é bom para economia do Estado. A PEC também é importante para que possamos gastar o que o Estado efetivamente arrecada”, concluiu.

 


Autor: AMZ Noticias com Midia News


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