Segunda-Feira, 25 de Maio de 2026

Sindicato de Água Boa e SENAR capacitam reeducandos para atuar no setor de máquinas




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Uma parceria entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR-MT), Sindicato de Produtores Rurais de Água Boa e a Penitenciária Major PM Zuzi Alves da Silva garantiu a realização de 13 treinamentos nos últimos dois anos. Produção de viveiro e mudas florestais, Implantação de florestas comerciais e plantas medicinais foram os três primeiros realizados em 2016. Já em 2017, o número aumentou para 10 e houve uma diversificação nos treinamentos. "Optamos pelo setor de máquinas e implementos agrícolas que é uma área carente de mão de obra qualificada", explica o diretor da penitenciaria, Valmir Bairros Christ.

O presidente do Sindicato de Produtores Rurais de Água Boa, Antônio Fernandes de Mello, popularmente conhecido como Tunico, conta que tudo começou quando foi observado que o índice de reincidência de retorno ao presídio era muito menor entre os reeducandos que durante o cumprimento da pena saiam para trabalhar. Segundo ele, uma parceria entre a penitenciária e a empresa Vale do Araguaia, que atua no setor de reflorestamento garante emprego para 40 detentos. "Qualificar estas pessoas para que elas tenham mais oportunidade de trabalho ao sair da prisão é uma forma de contribuirmos para a ressocialização destes detentos", enfatiza Tunico.

Mais que qualificação e capacitação, os treinamentos levam também a esperança de um futuro melhor para cada participante. No início, ao todo foram 60 inscritos, mas somente 15 foram selecionados. O diretor Christ explica que a seleção é feita por uma equipe de profissionais multidisciplinar. "O reeducando precisa ter bom comportamento e atender alguns outros pré-requisitos para fazer parte deste grupo que pode sair da penitenciaria para trabalhar ou fazer cursos".

Christ conta ainda que o detento que trabalha recebe 30% do salário. Os outros 70% são colocados numa conta na Caixa Econômica Federal. "Assim, quando concluir a pena, este reeducando terá uma poupança para recomeçar a vida. Normalmente a parte que eles recebem entregam para a família. É um projeto que tem dado muito certo", comemora o diretor do presídio.

De acordo com a mobilizadora do Sindicato de Produtores Rurais de Água Boa, Liria Knutzen o encerramento de cada curso é sempre uma "caixinha de surpresas". "Esta "caixa" vem sempre recheada de muita emoção, depoimentos surpreendentes, promessas de mudança, gratidão e a esperança de um futuro melhor", conta.

Segundo ela, na conclusão do último treinamento na penitenciaria ofertado pelo Sindicato de Produtores Rurais em parceria com o SENAR-MT ouviu o seguinte depoimento: "Depois de optar pelo mundo do crime, me afastar e desvalorizar minha família, fui preso e estou há seis anos detido. Minha família é da área do agronegócio, mas essa área nunca me interessou. Depois de fazer os treinamentos ofertados pelo SENAR-MT e Sindicato Rural mudei minha forma de pensar. Quando terminar de cumprir minha pena vou voltar para minha família. Agora sei o valor que eles têm".

Mais que transformação na vida dos detentos, levar treinamentos para dentro da penitenciaria de Água Boa mostrou um mundo novo para alguns participantes. O diretor Christ conta que neste grupo que fez os cinco treinamentos da área de máquinas e implementos agrícolas havia dois reeducandos que eram de uma facção criminosa. "Mas depois de um tempo detidos optaram por mudar de vida. Como tiveram uma boa avaliação tiveram a oportunidade de fazer o curso".

De acordo com Christ, um deles ficou muito impressionado com o tamanho, capacidade e utilidade de um autopropelido. "Com os olhos brilhantes, ele declarou que nunca na vida imaginou que tivesse uma máquina daquele tamanho e que ele fosse aprender a operar e a fazer a manutenção do equipamento. É gratificante ouvir os depoimentos", resume o diretor da penitenciaria de Água Boa, Valmir Bairros Christ.

 


Autor: AMZ Noticias com Assessoria


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