Jornal da Notícia
  Quarta-Feira, 10 de Junho de 2026

Delegado do “Caso dos Grampos” afirma “Chegamos mais longe do que prevíamos"




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O delegado Flávio Stringueta, um dos responsáveis pela investigação do esquema de interceptações telefônicas em Mato Grosso, afirmou que deixa o caso dos grampos com “a certeza de dever cumprido”. Ele avalia ainda que as investigações chegaram mais longe do que o previsto inicialmente.

A declaração foi dada após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolher pedidos feitos pelo governador Pedro Taques (PSDB) e pela Procuradoria Geral da República e decidir avocar (chamar para si) todos os procedimentos investigatórios relativos ao caso dos grampos em Mato Grosso.

“Sentimos em deixar o caso. Mas também deixamos com a certeza do dever cumprido, e acreditamos que chegamos mais longe do que prevíamos”, afirmou Stringueta.

Além de Stringueta, o caso também era investigado pela delegada Ana Cristina Feldner. Com o acolhimento do STJ, os dois deixam a investigação, bem como o desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Stringueta ainda afirma que teve liberdade para investigar o caso, resultando na prisão de secretários e ex-secretários do Governo Taques. “[A autonomia] nos deu condições até de prendemos secretários de Estado”.

O delegado, entretanto, acredita ser muito cedo para avaliar se o trabalho foi perdido. “Não dá para analisar isso por hora. Pois não sabemos o que há na PGR [Procuradoria-Geral da República] e o quanto eles estão avançados nas investigações”. 

“Talvez eles estejam mais avançados que nós”, completa. Stringueta afirma que as prisões e determinações do desembargador Perri não devem ser anuladas após a decisão do STJ.

Grampolândia Pantaneira

Conforme denúncia do Ministério Público Estadual, um grupo de oficiais da Polícia Militar criou um Núcleo de Inteligência da Polícia Militar para operar as interceptações clandestinas, por meio da barriga de aluguel. Este grupo seria liderado pelo coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante geral da corporação.

Na organização, conforme o MPE, o coronel Evandro Lesco, ex-chefe da Casa Militar, tinha a incumbência de garantir a estruturação do núcleo, através do coronel Ronelson Barros.

Já os cabos Gérson Corrêa e Euclides Torezan tinham a missão de “garantir a elaboração de projeto que assegurasse a viabilidade técnica de funcionamento dos equipamentos que seriam empregados nas escutas ilegais”.

Entre as personalidades grampeadas, conforme as investigações, estavam a deputada Janaina Riva (PMDB); o jornalista José Marcondes “Muvuca”, então candidato ao Governo; e o advogado José do Patrocínio, coordenador jurídico do, à época, candidato Lúdio Cabral (PT).

Também consta na denúncia do MPE que Zaqueu, Barros e Corrêa falsificaram documentos para obter autorização de quebras de sigilo telefônico pela Justiça.

Outro acusado pelo esquema é o ex-secretário chefe da Casa Civil, Paulo Taques. Ele teria conseguido incluir números de telefones de sua ex-amante e de sua secretária no âmbito de duas investigações da Polícia Civil.

 


Autor: AMZ Noticias com Midia News


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