Dados do Homofobia Mata, que traz um banco de dados da violência contra homossexuais no país, mostram que até o início de outubro foram documentadas 305 morte de LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais)no Brasil.
Neste ano, Mato Grosso já registra 12 mortes, o maior registro no Centro-Oeste. No país, entre os Estados com mais registros aparecem São Paulo (40), Minas Gerais (34) e Bahia (29).
Levantamento local realizado pelo Grupo Estadual de Combate aos Crimes de Homofobia (GECCH) da Secretaria de Estado de Segurança Pública Mato Grosso traz Mato Grosso num cenário assustador. De acordo com o levantamento realizado pela equipe do GECCH, o Acre é o Estado com maior número de mortes relativas à homofobia, com uma morte para cada 270 mil habitantes. Em segundo fica Alagoas, com um homicídio para cada 279 mil e Mato Grosso ocupa a terceira posição, com 1 assassinato para cada 367 mil moradores.
“Não sei se os casos estão aumentando ou tendo mais visibilidade. Mas todas as violências são com requintes de crueldade, tiram a humanidade da pessoa, fazem o que querem”, confirma a professora Josiane Marconi Fernandes de Seixas Oliveira, representante do grupo “Mães pela Diversidade”.
A defensora pública Erinan Goulart Ferreira, que é membro do Conselho Municipal da Diversidade, ressalta que temos muito que expandir em Mato Grosso no combate à homofobia. Segundo ela, muitas políticas públicas são carentes. Erinan cita inclusive o aumento de casos de homicídios envolvendo travestis por conta da opção sexual, desvinculada de qualquer outro motivo. “Isso é algo que nos preocupa porque é o extremo da violência de gênero em razão da opção sexual. Isso é um espelho de como a sociedade encara a comunidade LGBT”, diz.
Conforme a defensora a comunidade LGBT são minoria, e minoria desamparada. A defensora pública ressalta que o Estado na sua rede de assistência social como um todo é muito falha. Segundo ela outros problemas que já assolam a sociedade, como a criminalidade nos bairros periféricos, advêm da falta de acompanhamento psicossocial de famílias desestruturadas.
“Até neste ponto, que atinge a sociedade como um todo, já vemos a falha social. Essa falha não é isolada e existe em todos os meios. Para a minoria LGBT não posso nem dizer que ela é falha, ela é inexistente. Estamos ainda discutindo como o Estado deve atender a comunidade LGBT. O Estado não está preparado sequer para receber”, afirma.
Lenta evolução – Apesar do nome social passar a integrar os boletins de ocorrência em Mato Grosso, a comunidade LGBT não vê muito avanço. Isso porque, muitos sequer se dão ao trabalho de registrar boletins devido ao despreparo do poder público.
“O que acaba ocorrendo é que a gente vai lá registrar ocorrência e acabamos sendo criminalizadas. Não há qualquer preparo da segurança pública para tratamento da comunidade LGBT. Sem falar a falta de resposta adequada quando boletins são registrados, então o melhor é nem perder tempo mesmo”, disse B.V.A.
Dados - Em 2016 o balanço do Grupo Gay da Bahia apontou que a cada 25 horas um LGBT foi morto no país. Ao todo foram 343 mortes no país. São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro registraram mais mortes no ano passado.
No cenário regional dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública apontam que os boletins de ocorrência em Mato Grosso motivados por homofobia aumentaram cinco vezes nos últimos seis anos. Em 2011 foram 17 registros e em 2017 (de janeiro a agosto) já são 89.
O balanço mostra que em 2012 foram registrados 24 boletins, no ano de 2013 o número subiu para 45, já em 2014 caiu para 27, em 2015 subiu para 60 e em 2016 o número chegou a 67. De janeiro a agosto deste ano foram 89 ocorrências motivadas por homofobia. Nesses seis anos os registros chegam ao total de 329.
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Autor: AMZ Noticias com Diario de Cuiaba