“O Comando Vermelho é quem repassa as orientações para os presos que estão em greve de fome”. Essa foi a afirmação do presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado (Sindspen), João Batista, durante entrevista ao DIÁRIO, ao comentar sobre a permanência da manifestação dos presos dentro das unidades prisionais.
Os detentos iniciaram uma greve de fome nos 55 presídios de Mato Grosso no último domingo (5). Porém, segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado (Sindspen), João Batista, apenas 15 unidades prisionais fizeram o comunicado oficial até a última terça-feira (07).
Mas, na manhã de ontem a cadeia de Campo Novo do Parecis, distante a 239 km de Cuiabá, que também tinha aderido a manifestação recuou. Isso fez com que os agentes prisionais percebessem com que a maioria das unidades em que continuam “firme com a manifestação tem influência do Comando Vermelho”.
Entre as unidades que avançam com o movimento estão: Penitenciária Central do Estado (PCE), o Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC) e o presídio feminino Ana Maria do Couto. Já em Várzea Grande, a Cadeia Pública do Capão Grande e nas cidades de Comodoro e Lucas do Rio Verde também prosseguem com a ação.
“Em Campo Novo do Parecis são poucos detentos e lá também não tinha membros do comando. Temos monitorado essa situação e depois que Mato Grosso iniciou o Salve Geral, os membros do Comando Vermelho do Rio de Janeiro também repassaram a ordem para os presídios e se espalhou também para o Acre e Tocantins. E, aqui nós também percebemos que os presídios que fizeram o comunicado oficial da greve são os que tem influência do grupo criminoso”, afirmou.
Apesar de nem todas as unidades comunicaram que estão fazendo parte do movimento e os detentos da cadeia de Campo Novo do Parecis ter recuado, João Batista garantiu que a manifestação continua pacífica e também não tem ameaça entre os detentos.
“As visitas estão sendo autorizadas normalmente e a comida que eles comem são as fornecidas pelos familiares. Apenas a água é que eles estão usando do Estado”, detalhou.
Conforme um aviso que partiu dos próprios presos, eles reivindicam por melhorias na alimentação, atendimento médico e a superlotação nas unidades prisionais.
Com relação à saúde, os presos alegam na carta que o objetivo da paralisação é por melhorias nas celas, pois vários detentos “acabam morrendo nas celas por negligência por parte do governo que não contrata médico e ainda falta medicamentos adequados para tratamentos”, diz trecho da carta.
Os presidiários também reclamam que faltam dentistas nas unidades prisionais de Mato Grosso e ainda alas específicas para tratamentos como a tuberculose que tem proliferado principalmente na Penitenciária Central do Estado (PCE-MT).
O juiz da Vara de Execuções Penais, Geraldo Fidelis, concordou que as reivindicações dos presos com relação à Saúde nas unidades prisionais de Mato Grosso devem ser atendidas pelo Estado porque faz parte da realidade do Sistema Prisional.
“Acredito que essas reivindicações fazem parte da nossa realidade. O governo deveria dar uma atenção maior nesses casos porque o direito a Saúde está previsto a todos os cidadãos na Constituição Federal. Mato Grosso tem condições de investir no Sistema Penitenciário para que tem outras celas adequadas para tratamento dos enfermos e a Inteligência do Sistema é quem possui a expertise para a classificação dessas unidades”, observou.
OUTRO LADO - Por meio de nota, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) informou que em relação ao atendimento à saúde, a secretaria afirmou que todas maiores unidades possuem no próprio local, equipes formadas por médico (clínico geral, ginecologista) enfermeiro, técnico de enfermagem, psicólogo, assistente social, odontólogo, auxiliar de saúde bucal, farmacêutico e nutricionista.
Já sobre o tratamento de tuberculose todos os reclusos diagnosticados com a doença recebem diariamente a medicação.
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Autor: AMZ Noticias com Diario de Cuiaba