Terca-Feira, 02 de Junho de 2026

Divida milionária de Imobiliária pode solucionar a crise de Pontal do Araguaia




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O vereador Flávio Pereira Machado (PSD), líder do prefeito Gerson Rosa na Câmara de Pontal do Araguaia, apresentou um requerimento na sessão de 13 de novembro, solicitando da prefeitura informações do setor de tributos de débitos da Imobiliária Pontaleste com o município.

Segundo o líder do prefeito, o maior entrave que Pontal do Araguaia enfrenta neste setor é devido ao fato de a imobiliária ser a proprietária de grandes áreas no perímetro urbano da cidade onde conta-se mais de três mil imóveis e que não possuem escrituras. “Por esta razão precisamos saber o valor que a Pontaleste deve ao município para podermos cobrar e regularizar essa situação danosa”, disse o vereador.

Conforme disse à reportagem, Flávio Machado, também conhecido como Corujinha, “há empresas que querem se instalar em Pontal, mas sem os lotes escriturados elas desistem e migram para outras cidades. Com isso perdemos tanto no setor social quanto no econômico. Sei também que já houve acertos de contas onde a prefeitura recebeu dívidas em áreas onde foram construídas creche e outros prédios públicos”.

Corujinha disse ainda que não havia recebido informações, pois todo o processo, segundo seus cálculos “vai dar mais de 3 mil páginas e estou aguardando que seja concluído para que eu possa copiar o arquivo em um pen drive”. Questionado sobre a dívida da imobiliária à prefeitura, Corujinha sugere “ser coisa de milhões”.

Na mídia local, atrelada ao seu governo e a que tem trânsito livre, o prefeito Gerson Rosa, para isentar-se de sua fraca e visível atuação de poucos resultados, prefere atribuir seu fracasso de 11 meses de gestão a sua antecessora Divina Oda. “Por isso mesmo Gerson tem sido alvo de constantes críticas por parte de vereadores e populares pelo fato de até hoje não ter conseguido concluir uma única obra no município. Pelo contrário, ele prefere achar culpados para dar nome a sua incompetência”, disse a ex-prefeita Oda.

Este jornal, por meio de requerimento, solicitou informações à prefeitura e até o fechamento desta edição não havia recebido os números, embora nos corredores da prefeitura os comentários dão conta de que são mais de R$ 10 milhões. Esse valor, segundo disse a vereadora Fabiana Corte (PSD), “seria a salvação do município que vive dias difíceis diante da crise por que passa os municípios brasileiros”.

Fabiana lembra que à época em que seu tio Raniel Corte (2000-2004) foi prefeito, ele desapropriou uma área da Pontaleste como forma de abatimento de débito com a prefeitura. O bairro Murilão, segundo disse, nasceu dessa desapropriação. Essa dívida milionária é resultante de um acúmulo de muitos anos e está cadastrada na dívida ativa do município.

A ex-prefeita Divina Oda afirmou à reportagem que seu mandato tentou receber os valores, mas não conseguiu, e chegou a desapropriar áreas com intenção de receber parte da dívida. Segundo disse, na época o valor ultrapassava a R$ 9 milhões e diz que Gerson Rosa “deixou de cobrar parte dela, causando prejuízos de quase R$ 5 milhões.

O advogado, Wmarley Lopes Franco disse que o atual prefeito responde na Justiça a processos por cobrança fiscal ineficiente e se for condenado terá que restituir aos cofres da prefeitura pelo menos R$ 2,5 milhões. “Gerson deu uma de João-sem-braço [desentendido, finge não entender] ao invés de cobrar a dívida da Pontaleste com o município. Ele cobrou outra empresa desse setor, a Majori, do mesmo grupo e, com isso, a dívida prescreveu”.

A reportagem apurou que para disputar as últimas eleições, em 2016, Gerson declarou para Tribunal Regional Eleitoral, ter uma área localizada no setor Maria Joaquina. É conveniente lembrar que em seu segundo mandato à frente da prefeitura (2009-2012) deixou o entorno dessa área pavimentada, inclusive com calçadas e sem constrangimentos.

Este conserto de última hora patrocinado por Gerson Rosa e seus apoiadores, terminou por levar muita gente graúda à Polícia Federal em Barra do Garças, na conhecida Operação Atlântida, ocorrida com merecido sucesso em novembro de 2010, para desarticular uma organização criminosa envolvida no esquema de fraudes sem licitação e desvios de verbas federais. Gerson Rosa está respondendo ao processo por suposta fraude em licitação.

Numa pesquisa pelas galerias do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando Gerson disputava sua primeira eleição, em 2004, ele não declarou nenhum bem. Em 2008, em sua marcha para o segundo mandato, seu patrimônio saltou para R$ 296 mil. Na última declaração para sair candidato em 2016, sua fortuna deu um salto quântico para R$ 1.135 milhão que consta de uma área com 10.800m2 num setor nobre da cidade.

Contestando as informações do advogado, Franco Lopes, Gerson disse que mandou executar a dívida da imobiliária desde 2001 e, sobre a cobrança fiscal ineficiente citada pelo advogado, ele disse que “foi um erro do setor de tributos na época ao fornecer dados da imobiliária em Cuiabá, mas que depois tudo foi acertado”.

Com relação à dívida, o prefeito não soube informar o valor e que todo o processo dá mais 11 páginas e alegou não ter certeza se a ex-prefeita Divina Oda, teria cobrado a imobiliária. Oda afirmou à reportagem que “cobrou todos os anos”.

No que diz respeito à área de alto valor declarada no TRE, de R$ 440 mil, o prefeito disse que não tem nada a ver com a Pontaleste e sim com a Imobiliária Barra do Garças e que a compra do imóveis teria sido fruto da venda de uma autoescola de sua propriedade.

 


Autor: AMZ Noticias com Semana7


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