Em quinze anos, o número de homicídios de menores de 19 anos praticamente sextuplicou, em Mato Grosso. No estado, o número de mortes violentas nessa faixa etária subiu de 28 casos registrados no ano de 1990 para 163 ocorrências, em 2015.
Os dados, extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde (MS), figuram em um relatório da Fundação Abrinq sobre a situação das crianças e adolescentes frente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, divulgado ontem.
O resultado deixa o Brasil, onde os registros de homicídios saltaram de 5 mil para 10,9 mil na mesma faixa etária e no mesmo período, longe do compromisso assumido com as Nações Unidades de reduzir a violência entre os jovens.
Localizado no Centro-Oeste, Mato Grosso é o terceiro da região com o pior índice de assassinatos de crianças e adolescentes. No Estado, o estudo apontou uma taxa de 15,4 para cada grupo de 100 mil habitantes. Em Goiás (GO), foi de 28,1 por 100 mil indivíduos. Já Mato Grosso Sul (MS) é inferior a 10 por 100 mil e, no Distrito Federal (DF), de 19 por 100 mil pessoas.
Além de mostrar quais são os estados brasileiros mais violentos, estudo traz o perfil das vítimas. Em Mato Grosso, a maioria era parda (122). Em seguida, brancos (27) e negros (14). Quanto ao sexo, os meninos corresponderam a cerca de 80% das vítimas. Já as armas foram utilizadas em 15,5% dos casos, conforme o levantamento.
Dos anos 90 para cá, crianças e adolescentes mato-grossenses continuam sendo vítimas da violência. Em outubro deste ano, por exemplo, Allyson Lima, de 19 anos, foi assassinado a tiros no Bairro Jardim Umuarama, em Cuiabá. O motivo da execução seria uma dívida de droga no valor de apenas R$ 5,00.
Em todo país, o estudo revela que o maior número de vítimas de zero a 19 anos de idade está no Nordeste (4.691 homicídios). Entre os locais com pior desempenho, a Bahia lidera com 1.223 casos de mortes violentas de menores de 19 anos, ou 20,3% dos homicídios registrados no estado em 2015. Na sequência estão Rio de Janeiro (1.002) e Ceará (900), números que representam, respectivamente, 19,8% e 21,6% dos assassinatos contabilizados naquele ano.
Documento subscrito por 193 países, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável elencam 169 metas a serem cumpridos até 2030, em prol de um mundo mais justo e sem desigualdade. A nova análise da Fundação Abrinq contempla os indicadores sociais que impactam a vida de crianças e adolescentes, relacionados aos ODS 6 (Água Potável e Saneamento), 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes), no ano de 2015, quando teve início a agenda mundial.
Se mantido o atual ritmo para a melhoria desses indicadores, o Brasil dificilmente cumprirá os objetivos do acordo no prazo estipulado pela ONU. Mais de 34 milhões de pessoas, ou 17% da população, não têm acesso à água potável. A rede coletora de esgoto é um privilégio de apenas 65,3% dos lares brasileiros.
Cerca de 15% das crianças e adolescentes vivem em favelas, sendo que na região Norte um quarto dos brasileiros com até 17 anos de idade vivem em habitações precárias. “O objetivo deste estudo é construir um ‘marco zero’ para facilitar o monitoramento dos avanços do Brasil diante das metas da Agenda 2030”, disse Carlos Tilkian, presidente da Abrinq.
Autor: AMZ Noticias com Diário de Cuiabá