Sexta-Feira, 17 de Abril de 2026

Déficit de médicos pediatras em cidades de Mato Grosso é de 50% das necessidades




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Mato Grosso não tem pediatras suficientes para atender cerca de um milhão de crianças com idade entre zero e 18 anos. Segundo a Demografia Médica 2018, são 426 pediatras para todo o estado. O déficit de profissionais causa demora nas consultas, especialmente nas subáreas da pediatria. Em alguns casos, a fila de espera pode chegar a dois anos, como ocorre na neuropediatria, em que existe pacientes aguardando desde 2016 por uma consulta na Central de Regulação. A falta de atendimento pode agravar os problemas de saúde, causar lesões permanentes e representa até mesmo risco de vida aos pacientes.

Secretário-adjunto de Políticas e Regionalizaçao da Secretaria de Estado de Saúde, Cassiano Falleiros confirma que o índice de cobertura pediátrica em Mato Grosso é a metade do que preconiza a Organização Mundial de Saúde - que indica o mínimo de 20 médicos por 100 mil habitantes. Isso é um indicador de que há crianças que não estão sendo assistidas e que falta acesso a saúde.

Com uma das maiores demandas e poucos médicos especializados, a neuropediatria é apontada como um dos gargalos, mas também sao poucos os pediatras especializados em cardiologia, cirurgia, genética e endocrinologia, entre outros. Para o gestor, como se trata de falta de médicos, não há o que fazer para resolver a fila de espera por atendimentos especializados. “A criança é acompanhada por um pediatra geral, até que se consiga uma consulta com o especialista”.

Para melhorar o quadro, Cassiano aponta a necessidade de adoção de várias medidas. Primeiro, ele considera necessário uma política educacional e de saúde pública voltada para a formação de mais médicos nas áreas em que há demanda. Também considera importante o estímulo para que haja mais programas de residência médica (especializaçao) no interior, onde a situação é mais grave. Depois, diz ser necessário melhores condições de trabalho e remuneração.

Enquanto isso não ocorre, a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) nao anda para muitas famílias ou, quando anda, já pode ser tarde.

Foi o que aconteceu com o pequeno Leonardo, de seis meses. Prematuro, os problemas iniciaram ainda na maternidade pública, onde exames necessários não foram feitos. Depois, a demora em conseguir um retinólogo resultou na perda total da visão do olho esquerdo, conforme conta a mãe, a atendente de caixa Iara Ribeiro da Paz, 25. O diagnóstico foi recebido na semana passada, quando a criança passou por consulta médica com o especialista no Hospital Universitário Júlio Müller, em Cuiabá, depois de meses de peregrinação.

Em muitos casos demora representa sequelas, como para o pequeno Leonardo que já perdeu totalmente a visão do olho esquerdo. Abalada pela notícia, Iara acredita que se nao fosse a demora em conseguir um especialista, o filho não perderia a visão.

Nesta semana, Leonardo vai passar por uma cirurgia no olho direito, na tentativa de recuperar parte da visao e evitar que fique completamente cego. Mas o procedimento nao é garantido. “É muito descaso. Agora o problema já está avançado. Se nao fosse a demora isso podia ter sido evitado”, desabafa.

Iara conta que teve muita dificuldade e ficou cerca de tres meses tentando conseguir um retinólogo para avaliar Leonardo. Como a família é de Terra Nova do Norte (647 km da Capital), mae e filho ficam hospedados na casa de uma prima, quando vem para Cuiabá. “Desde a primeira consulta o médico (de Terra Nova) falou que era urgente e precisava de cirurgia. O pedido foi para a Central de Regulação e lá ficou”.


Autor: Anelize Moreno com Gazeta Digital


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