Em novo depoimento prestado junto a 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar, o cabo Gerson Luiz Correa Junior acusou o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, de ter lhe oferecido ajuda financeira para evitar que o nome do governador Pedro Taques (PSDB) fosse citado no esquema dos grampos ilegais.
De acordo com o integrante da Polícia Militar, a “oferta” foi feita por duas vezes quando ambos estavam presos no Centro de Custódia de Cuiabá.
Apesar de não terem ficado na mesma cela, eles estavam detidos na mesma ala, o que facilitou o contado. “Recebi oferta de ajuda financeira de Paulo Taques quando eu estava preso no Centro de Custódia da Capital”, enfatizou.
Gerson afirma que a primeira “abordagem” do ex-secretário ocorreu quando os dois estavam presos em decorrência da “Operação Esdras” em 2017. ”Já na segunda ocasião, ele retornou para o CCC e tratamos melhor sobre ajuda para advogados. Ele me ofereceu um advogado do escritório dele e eu neguei, mas aceitei a ajuda financeira. Ele disse que o Siqueira iria procurar minha esposa, mas acabaram não a procurando”, contou.
Conforme o cabo, a intenção de Paulo em lhe oferecer dinheiro e ajuda com advogados era para que ele não citasse o nome do governador. “Graças a Deus não recebo ajuda deste senhor. O que tenho a dizer são estes fatos. O dono disso aqui se chama Paulo Taques e seu primo [Pedro Taques]. Se não fosse isso, porque me ofereceria ajuda? O senhor Paulo pediu para não chegar ao governador, era a condição para me ajudar", declarou.
Gerson foi reinterrogado pelo juiz Murilo Mesquita nesta segunda-feira (27). O magistrado acatou o pedido do integrante da Polícia Militar, que pediu para ser ouvido novamente no processo oriundo do esquema chamado de “grampolândia pantaneira”.
O esquema, conhecido como “barriga de aluguel”, se deu por meio da inserção de números telefônicos em uma investigação sobre tráfico de drogas no município de Cáceres. Cerca de 120 pessoas teriam grampeadas ilegalmente. Entre eles, adversários políticos do governador Pedro Taques, jornalistas, advogados e empresários.
Em seu depoimento, o cabo ainda revelou que a juíza aposentada Selma Arruda, que concorre ao Senado no pleito deste ano, sabia que uma denúncia de organização criminosa havia sido forjada para que nomes fossem inseridos em escutas.
Segundo o integrante da Polícia Militar, no ano de 2015 a magistrada procurou o Gaeco para relatar uma suposta ameaça contra a sua pessoa. Na oportunidade, ela teria sido recebida pelo chefe do departamento na ocasião, o promotor Marco Aurélio de Castro, que determinou que Gerson apurasse a denúncia.
“Ela narrou que tinha conhecimento que uma pessoa da família de Antonio Carlos Milas tinha recebido algumas pessoas em uma fazenda, dentre elas o deputado Riva. E essas pessoas começaram a tecer comentários sobre ela, que ela era a cabeça do Gaeco”, relatou.
Com base nessas informações, Gerson afirmou que foi instaurado uma investigação anônima para apurar os fatos. “De imediato levei essas informações ao Marco Aurélio, que abriu investigação de maneira anônima. Foi então que foram incluídos os número do senhor Filadélfo dos Reis Dias, Silval Barbosa e Antônio Barbosa. Eles não tinham nada a ver com a história. Nós inserimos os três no bojo dessa investigação”, afirmou.
O cabo disse que alertou a ilegalidade ao promotor Marco Aurélio. “Falei ao doutor Marcos que o crime de ameaça não gerava interceptação. Então, simularam o crime de organização para poder grampear. Eu formulei a denúncia anônima. Foi combinado com Selma para se declarar impedida para julgar o caso que envolvia a ameaça e repassado ao substituto. Não tinha nenhum fundamento que contra Silval e outros. Tudo fui eu que fiz”, revelou.
De acordo com ele, o mesmo “modos operandi” foi utilizado pelo Gaeco nas Operações Ouro de Toulo, que culminou na prisão da ex-primeira dama do Estado Roseli Barbosa, e Ventrílogo, Imperador e Metástase, que derrubaram esquemas de corrupção na Assembleia Legislativa.
Por meio de nota, o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (GAECO) disse que os fatos apontados pelo cabo Gérson não configuram “barriga de aluguel”. De acordo com a nota, a utilização de dados cadastrais obtidos em investigações não é vedada e não pode ser confundida com “barriga de aluguel”.
Autor: AMZ Noticias com Diário de Cuiabá