Quinta-Feira, 20 de Janeiro de 2022

Para o técnico Felipão: 'A Seleção não tem a obrigação de ganhar a Copa das Confederações'




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Luiz Felipe Scolari quer imprimir na seleção brasileira e na própria campanha na Copa do Mundo o estilo que o marcou e o tornou vitorioso nas Libertadores de 1995 e 1999: conseguir que uma seleção estrangeira, quando entrar em campo contra o Brasil, sinta a pressão da torcida. Em entrevista ao Estado, em Zurique, onde entregou o prêmio da Fifa ao espanhol Vicente Del Bosque, eleito o melhor treinador de 2012, e à americana Pia Sundhage, a melhor técnica, Felipão apresentou seus planos para 2013.
Revelou estar solicitando adversários fortes à CBF e insiste que o Brasil não tem a obrigação de ganhar a Copa das Confederações neste ano. Para ele, o torneio deve ser usado para preparar a seleção para ganhar a Copa de 2014, aí sim uma obrigação. Felipão também não vê problemas diante da ausência de brasileiros entre os melhores do mundo e acha que Neymar será um dos finalistas na Bola de Ouro de 2013.
Não houve nenhum brasileiro na lista dos três melhores jogadores do mundo. Isso é um sinal de que o Brasil vive uma entressafra de craques?
LUIZ FELIPE SCOLARI - Não acredito que seja isso. É verdade que nos últimos dez anos tivemos cinco ou seis nomeados entre os melhores. Nos últimos dois ou três anos não tínhamos fora do Brasil um nome com peso que garantisse essa nomeação. Acredito que, em 2012, se o Brasil estivesse jogando as Eliminatórias ou uma competição oficial, Neymar já estaria. A partir de 2013, quando temos campeonatos normais e ainda a Copa das Confederações, acho que Neymar fará parte desse grupo. Não existe mais entressafra. Além de Neymar, Oscar vai chamar a atenção. Lucas, se no Paris Saint-Germain jogar como vinha jogando, vai chamar a atenção também. E voltaremos a estar na lista dos melhores. Esses jogadores têm 20 ou 21 anos. Eles têm, portanto, sete anos para estar no topo e brigando para estar entre os dez do mundo.
Fez falta não disputar um torneio oficial para a formação de um grupo na seleção brasileira?
LUIZ FELIPE SCOLARI - Certamente. Principalmente pode fazer falta para dar um sentido maior de competitividade ao grupo e maior experiência. É muito diferente quando se entra em campo para disputar três pontos. Mas é o preço que se paga por ser sede da Copa do Mundo ou da Uefa.
O senhor já viveu isso com Portugal na Eurocopa de 2004, que foi realizada no país. Como fez para superar esse obstáculo?
LUIZ FELIPE SCOLARI - Verdade, já vivi isso mesmo com Portugal. A competitividade fica sempre um pouco de lado. A maneira de superar isso é jogar de forma diferente contra as maiores equipes e as indicadas como as favoritas para serem campeãs. Ainda assim, nunca é um jogo de três pontos. Nunca é um jogo em que um erro te afasta de uma competição. Então, falta um pouco de competitividade. Mas o que pode atenuar essa dificuldade é jogar com as grandes equipes.
A CBF tem contratos que deixam para empresários a escolha dos adversários do Brasil nos amistosos. O senhor se sente de mãos atadas?
LUIZ FELIPE SCOLARI - Nós temos um diálogo com a presidência e pedimos adversários de qualidade e fortes. Mas, com o contrato estabelecido, não podemos sempre definir. Existem contratos assinados e precisamos cumpri-los, independentemente de quem é o técnico. Claro, diálogo sempre existe e vamos sempre fazer a colocação de pedir adversários de qualidade.
A Espanha é hoje a grande equipe?
LUIZ FELIPE SCOLARI - É uma delas. Está jogando um futebol muito produtivo. Mas não podemos esquecer que temos a Alemanha jogando muito bem. Há também a Itália, que todos ficam sempre em dúvida se vai chegar e sempre chega. Temos ainda um crescimento muito grande da Argentina e mais aqueles que sempre podem surpreender, inclusive Inglaterra, Holanda e a França, que renovou.
O senhor volta a assumir a seleção em um momento difícil e de pressão. Na sua avaliação, essa será uma tarefa ainda mais difícil do que a de 2002?
LUIZ FELIPE SCOLARI - Em 2002 foi mais difícil. O Brasil jogava as Eliminatórias e tinha dificuldade para se classificar. Estávamos em terceiro e ninguém admitiria que ficássemos fora da Copa. Seria a primeira. Isso seria uma imagem que ficaria marcada para a história. Agora, jogando em casa, o Brasil tem sim o dever de ganhar. Em 1950, perdemos e já temos um histórico de Copa dentro do Brasil que não nos favoreceu. Portanto, foi pior para mim em 2002 do que agora.
O senhor pensa em blindar a seleção para a preparação?
LUIZ FELIPE SCOLARI - De jeito nenhum. Os jogadores e nós da comissão técnica precisamos viver a expectativa de uma Copa. O governo fez um grande esforço para receber esse evento e precisamos fazer o nosso trabalho. Não podemos ficar escondidos atrás de uma ou outra coisa. Ou ficar encontrando desculpas. Qualquer um que jogue em casa tem a obrigação de ganhar.
Temos a obrigação também de ganhar a Copa das Confederações neste ano?
LUIZ FELIPE SCOLARI - Não. Em 2001, na Copa América, levamos um grupo que achávamos que faria parte de nosso time no Mundial de 2002. E não foi. Aquela Copa América definiu cinco nomes de jogadores que não foram conosco em 2002. A Copa das Confederações será a mesma coisa e marcará muito isso. É um torneio oficial e precisamos mostrar qualidade. Também será um evento que nos dará uma amostra de como vamos nos comportar em um evento oficial. Para mim e para os jogadores, é importante para traçar um rumo até a Copa do Mundo. Não quer dizer que se alguém não for bem já não será mais chamado, mas é sempre uma amostra oficial.
E como o senhor pretende preparar a seleção até lá?
LUIZ FELIPE SCOLARI - Teremos adversários muito fortes pela frente. Já começaremos em Wembley em fevereiro contra a Inglaterra. Jogaremos ainda contra a Itália em março e provavelmente contra a França, Japão e México.
Jogar em casa ajudaria nesse preparação?
LUIZ FELIPE SCOLARI - Ajudaria muito, mas desde que nossos torcedores estejam do nosso lado. Eles precisam confiar na seleção brasileira e precisamos criar um ambiente em que vamos receber os estrangeiros muito bem e mostrar o povo que somos e as belezas do Brasil. Mas devemos criar uma força tal que as seleções sintam a pressão. Isso é fundamental. E é isso que vamos tentar conseguir durante o ano. Espero que os torcedores entendam isso.
A base da seleção já existe?
LUIZ FELIPE SCOLARI - Já existe sim. Ela vem sendo trabalhada desde 2010. Não posso quantificar, mas 70% ou 80% da seleção já está organizada. Não posso mudar dez nomes da noite para o dia. Podemos mudar três ou quatro nomes por diferentes razões, por ideologia de trabalho, por filosofia de jogo. Mas o restante não.


Autor: UOL


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