O governador Mauro Mendes (DEM) criticou, nesta quarta-feira (1º), a forma como o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vem se posicionando em relação à crise na Saúde Pública, e cobrou mais ajuda do Governo Federal.
Mendes participou, à tarde, do UOL Debate, realizado por vídeo conferência com os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB). O evento do site UOL foi mediado pelo jornalista Josias de Souza.
Os três governadores concordaram que o tom utilizado pelo presidente em discurso em rede nacional, na noite de terça-feira (31), foi "mais ameno", mas criticaram a posição de enfrentamento que o Governo vem adotando e citaram um vácuo na coordenação nacional para combater a Covid-19. Mauro Mendes afirmou que Bolsonaro não pode acrescentar uma crise política ao atual momento.
"Juntar crise na Saúde, crise econômica sem precedentes e fazer aqui, no nosso país, mais uma crise política, de confronto, seria muito ruim. Bolsonaro se elegeu presidente fazendo um enfrentamento da classe política, do PT, e deu certo. Mas, dificilmente, dará certo para governar o país", argumentou Mendes.
Na conversa, os governadores cobraram agilidade do Governo Federal em repassar os R$ 600 para trabalhadores informais e pediram mais ajuda para enfrentar a crise econômica cauda pela pandemia.
"As respostas têm de ser urgentes. As medidas que foram aprovadas no Congresso demoraram um pouco para sair", disse o gaúcho Eduardo Leite. Os governadores também pediram a renegociação das dívidas dos estados. Renato Casagrande declarou que as medidas apresentadas pelo Planalto são "um primeiro passo". "Mas acho que são insuficientes", acrescentou.
Para ele, outras possibilidades de ajuda estariam a respeito de adiamento de pagamento de parcelas de dívida com a União e bancos públicos. "Acho que o Governo terá que dar outros passos. Essa é uma crise de médio prazo, de alguns meses. Não é uma crise de um mês", afirmou Casagrande.
Outro ponto de reclamação é quanto à velocidade das ações. "Lamento dizer que o ritmo não está adequado", disse Mendes. Os governadores que participaram do UOL Debate também pediram mais apoio financeiro por parte do Governo Federal no enfrentamento à crise do coronavírus. "Já tem gente passando fome, há 15 dias", afirmou Mauro Mendes. Quase todos os estados brasileiros adotaram medidas de quarentena e apenas serviços essenciais funcionam com normalidade, afetando a economia.
"Todos nós precisamos que ele [presidente] aponte os caminhos corretos, una o Brasil e não aponte caminhos distintos. Estou disposto a não só colaborar com nosso presidente, mas com o país", acrescentou Mendes.
ISOLAMENTO - A pandemia do novo coronavírus terá efeitos na economia do Brasil. Mas como os governadores estão fazendo para lidar com esse conflito agora e no futuro? A questão foi debatida no UOL Debate. Mauro Mendes pediu bom senso, moderação e "decisões sensatas" no fechamento de estabelecimentos comerciais.
"Em nosso Estado, vimos prefeitos que não têm nenhum caso suspeito e o cara decretou o 'lockdown' na cidade dele", disse o governador, que citou um decreto para estabelecer conceitos de contaminação local "para dar mais racionalidade para essas tomadas de decisão".
"Não posso, aqui em Mato Grosso, dar o mesmo tratamento no início da crise que São Paulo deu. Esta racionalidade perdeu um pouco diante do bombardeiro de informações", disse.
"Economia é importante, vidas são importantes. A virtude está no equilíbrio, para tomar decisões sensatas. No momento, vários gestores tomando decisões por pressão da mídia. Temos centenas de exemplos", argumentou. No caso do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite adota uma postura cautelosa.
"É como prender a respiração. Você prende a respiração antes de mergulhar, não prende a respiração tanto tempo antes porque pode faltar fôlego quando você mais precisar", disse, em analogia a prefeitos que adotaram medidas restritivas mesmo sem casos nas cidades.
Para Casagrande, por outro lado, a meta, neste moment,o é aumentar o número de testes para diagnosticas a covid-19. Ao mesmo tempo, manter o comércio fechado para explicar a gravidade da situação à população.
Segundo o governador do Espírito Santo, as políticas de distanciamento social são necessárias para que o Estado tenha condição de retomar a rotina, quando possível, em segurança. Hoje, o governador capixaba prevê um cenário mais controlado entre julho e agosto, "quem sabe um pouco mais adiante".
"Quem vai definir se uma atividade vai ficar efetivamente fechada vai depender muito da disciplina da pessoa, para que evitem o contato. A gente pode deixar funcionar algumas atividades, mas se algumas pessoas não compreenderem a necessidade de manter distanciamento, aí poderá vir uma obrigação para que a gente tenha um fechamento mais intenso", argumentou. "Vai depender muito do que a gente conquistar", completou.
Autor: Redação AMZ Noticias