As aulas presenciais na rede pública de Mato Grosso serão retomadas no dia 7 de junho, de forma híbrida e respeitando limite de 50% dos alunos em sala. O plano de retomada foi apresentado pelo secretário estadual de Educação, Alan Porto, na tarde desta quinta-feira (20).
As salas de aula estão vazias na rede estadual desde março de 2020, quando começou a pandemia da Covid. Entre 31 de maio e 4 de junho, a Seduc planejou uma semana pedagógica de acolhimento aos profissionais da Educação e também aos estudantes, com atendimento revezado.
Os estudantes serão divididos em dois grupos, A e B. Entre 7 e 11 de junho, os alunos do primeiro grupo poderão frequentar as escolas. Já na segunda semana, entre 14 e 18 de junho, os estudantes do grupo B serão atendidos. O revezamento seguirá nesta ordem pelas semanas seguintes. Na semana em que for a vez das aulas presenciais de um grupo, o outro terá de forma remota. Porto explicou que a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) se baseou nos dados epidemiológicos sobre a pandemia em Mato Grosso.
"No último boletim entregue pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), 12 municípios estão na faixa de risco alta [de contaminação da Covid] e 129 com risco moderado. Nossa decisão foi retomar no híbrido em 50%. Uma turma com 30 alunos terá 15. O monitoramento será constante, assim como a análise do cenário epidemiológico", disse.
O secretário também disse que o Projeto ERA (Educação para Redução do Absenteísmo) fará o atendimento multidisciplinar nos polos pedagógicos. "Teremos atendimento psicossocial sobre como utilizar o material de forma adequada, como proceder quando forem identificados alunos ou profissionais com sintomas [da Covid]. Já iniciaram esse trabalho na Baixada Cuiabana. Na próxima semana estarão em Rondonópolis, e esperamos fazer esse atendimento em todo o Estado", explicou.
Durante a apresentação, Porto ainda utilizou dados sobre déficit de aprendizagem como consequência da pandemia e sobre como o fechamento das escolas pode deixar as crianças ainda mais expostas a situações de abusos sexuais. O Projeto ERA também vai atuar na orientação sobre como usar equipamentos de proteção, como incentivar a limpeza dos espaços escolares e outras dúvidas sobre prevenção da Covid-19.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), Valdeir Pereira, afirmou que, apesar da "falsa sensação" de estabilidade no número de óbitos e casos da Covid-19, a decisão de retomada das aulas presenciais gera preocupação na categoria.
Valdeir citou a afirmação do secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, sobre uma terceira onda da Covid-19 em Mato Grosso. "A decisão de retorno me preocupa pela própria declaração do secretário de Saúde dizendo que não é o momento de afrouxar as medidas, porque Mato Grosso está próximo de uma terceira onda", afirmou.
Apoio do Ministério Público - O promotor Miguel Slhessarenko Júnior, coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Educação do Ministério Público Estadual, se posicionou favorável ao retorno, mas ressaltou que o órgão não defende a retomada a "qualquer custo". Ele disse que a função do MPE será de fiscalizar o cumprimento das medidas de segurança.
"Ano passado tivemos períodos com baixas de contaminação em muitos municípios. Na rede privada não há dados que comprovem impacto dessas atividades escolares na pandemia. As escolas são ambientes controlados, mas não há espaço 100% seguro", avaliou.
Slhessarenko também justificou que outros setores já retomaram as atividades presenciais sem a obrigatoriedade de vacinação. Para o promotor, existem condições para o retorno seguro. "Da nossa parte existindo todos esses aspectos positivos, o MPE fiscalizará esse retorno e apoiará a decisão do Estado diante desse prejuizo que está sendo cada vez mais maior", disse.
A Seduc ainda reforçou que dos 832 servidores da Educação com comorbidades, a maioria está na faixa etária dos 43 anos. A Pasta informou que pessoas com 39 anos já estão sendo imunizadas contra a Covid-19, englobando profissionais da categoria. Desde o começo da pandemia, a Seduc registrou 2.997 suspeitas da doença, sendo 2.992 confirmações e 72 óbitos.
Autor: Redação AMZ Noticias