A radicalização da crítica política à administração estadual e desagravos ao ex-diretor do Dnit, Luiz Antonio Pagot, marcaram o segundo de uma série de encontros programados pelo PTB pelos municípios de Mato Grosso.
“Precisamos nos unir contra esse pacto dos partidos que vendem a alma ao diabo, especialmente o PMDB, que é o que mais representa o fisiologismo do mal nesse país”, disse o prefeito de Lucas do Rio Verde, Otaviano Pivetta, na abertura do evento realizado no Cine Teatro de Rosário Oeste, na noite desta quinta (20), para uma plateia de aproximadamente 150 pessoas.
“DO BEM PARA O BEM”
No discurso mais duro da noite, Otaviano Pivetta, prefeito de Lucas do Rio Verde, atacou PMDB e Governo Silval.
Segundo Pivetta, o atual Governo não deu continuidade ao processo de realizações de Blairo Maggi, cujo governo teve em Luiz Antonio Pagot um de seus principais executivos. “Só o Pagot fez mais de 2 mil quilômetros de asfalto em Mato Grosso. E esse governo não fez nada até agora com o dinheiro do Fethab”.
“Pagot conta com o amigo Pivetta. Sei das injustiças que você está sofrendo.Vamos fazer uma grande onda de regeneração e de mudança do Estado de Mato Grosso, um estado que está degenerado pela falta de homens públicos qualificados e com honra para defender o povo trabalhador. Vamos fazer essa onda da regeneração do Estado, da esperança e do respeito que a sociedade precisa”, discursou o pedetista, referindo-se a Pagot.
Entre as principais críticas, o uso inadequado do Fethab - Fundo Estadual de Transporte e Habitação, saúde, educação e segurança. O deputado estadual Marcio Pandolf (PDT), criticou o desvio de finalidade dos recursos do Fethab pela atual administração, e também a contratação de OSS para gerir a saúde pública no Estado.
“O Governo cortou 50% dos recursos da saúde que eram repassados aos municípios. Não é assim que se faz saúde. Isso acontece porque as pessoas deixaram de ser prioridade para esse Governo”, frisou ele.
Presente ao encontro, a ex-senadora Serys Slhessarenko também endossou as críticas ao Governos do Estado e Federal, e fez um depoimento em defesa de Pagot.
“O prejuízo que a Dilma (Roussef) deu à infraestrutura do Brasil não há dinheiro que pague, e ainda por cima desrespeitando um homem bom como o Pagot”, discursou Serys, referindo-se ao processo de demissão e Pagot do Dnit, ano passado.
Os encontros, segundo o PTB, serve para o partido discutir com aliados e a sociedade de um modo geral um programa a ser adotado pela legenda, e também marca a filiação de novos militantes, especialmente pré-candidatos nas eleições do ano que vem.
Porém, o personagem central é Pagot, que dá uma palestra sobre logística e infraestrutura de Mato Grosso ao final. O ex-prefeito de Cuiabá e presidente estadual do PTB, Chico Galindo, inclusive, o apresentou no encontro de Rosário como alguém “que conhece Mato Grosso como a palma da mão”.
Além dos militantes petebistas de Rosário Oeste, o encontro contou com a participação dos prefeitos João Balbino (Rosário - PSB), Natanael Casavechia (São José do Rio Claro - DEM) e Otaviano Pivetta (Lucas do Rio Verde), todos de outros partidos, além de Pedro Ferronatto, de Ipiranga do Norte, um dos dois prefeitos que o PTB possui atualmente no Estadio. De Cuiabá compareceram ao encontro os vereadores Júlio Pinheiro e Dilemário Alencar, além do ex-vereador Carlos Haddad, o Tuba, e do ex-diretor da Secopa, Yuri Bastos Jorge.
Durante sua palestra de cerca de 50 minutos, Luiz Antonio Pagot discorreu sobre conjuntura nacional, falou sobre a contribuição de Mato Grosso para a balança comercial brasileira e criticou a falta de ação do Governo do Estado nas áreas sociais e na infraestrutura.
Sobre o Fethab, Pagot acusou o atual governo de desviar os recursos do fundo, cerca de R$ 750 milhões anuais, segundo ele, para fazer o custeio da máquina. “O tesouro nacional (STN – Secretaria do Tesouro Nacional) só autorizou Mato Grosso a criar o Fethab com a condição de 100% do recursos ser destinado para investimento. Mas, este governo está pagando salários com o Fethab. Isso é uma distorção ilegal. Cadê o Ministério Público que não vê isso”, protestou.
“Quando fui secretário de Infra-estrutura do Estado, fiz 1,1 mil pontes de madeira. Quantas esse governo fez com dinheiro do Fethab?”, indagou. “Nenhuma”, respondeu ele mesmo.
Pagot também criticou a contratação de Organizações Sociais de Saúde (OSS) para gerir a saúde em Mato Grosso. “Temos 18 mil servidores na saúde e Mato Grosso e esse governo que está aí foi buscar uma tal ade OSS no Pernambuco para nos ensinar a fazer saúde. Eles (Governo Silval) estão levando a administração estadual para uma situação inadministrável. Se você tem política pública e se valorizar o servidor públicos, você não precisa terceirizar nada no Governo”.
ALIANÇAS
Chico Galindo e Luiz Pagot pegaram durante o encontro do PTB em Rosário Oeste a construção de uma aliança eleitoral ano que vem que extrapole o Movimento Mato Grosso Muito Mais, hoje composto por PSB, PDT, PV e PPS. Eles propõem a inclusão, além do próprio PTB, do PSC, PRB e do PCdoB.
“Vamos nos preparar para ter chapa própria para deputado estadual e federal e queremos sentar à mesa com os demais partidos de igual para igual. Queremos ser ouvidos, ajudar a ganhar as eleições e ajudar a governar”, disse Galindo.
“O PTB não será reboque de ninguém. Juntos com esses partidos, unidos, seremos vitoriosos. Vamos unidos criar essa onda do bem para o bem. Viva a utopia, Pagot no PTB”, disse Pagot, no final de seu discurso, sob aplausos efusivos dos presentes.
Autor: Hipernoticias