Sexta-Feira, 17 de Abril de 2026

Justiça manda soltar militares acusados de 'forjar' confrontos com bandidos em Mato Grosso




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O desembargador Sebastião Barbosa Farias, do Tribunal de Justiça, revogou a prisão de 30 policiais militares investigados na Operação Simularum. Os agentes foram presos no dia 31 de março e o magistrado autorizou soltura de todos na tarde deste sábado (2). Posteriormente, a Polícia Militar informou que a decisão se estende a todos os agentes detidos. Em nota, informou que dará apoio aos servidores.

A defesa dos policiais, feita pelo advogado Augusto Bouret Orro, da Associação de Cabos e Soldados de Mato Grosso, argumenta que a liberdade dos servidores não representa risco à sociedade, nem atrapalharia as investigações.

Além disso, cita que os fatos dos quais são acusados não têm contemporaneidade, pois ocorreram entre 2017 e 2020. Alega, ainda, que a prisão dos 30 é ilegal, não tem base em fatos concretos. Apenas em “conjecturas” com base em dados passados por informantes.

Com isso, o advogado requereu a soltura dos policiais, com imposição de medidas cautelares menos gravosas, se necessário. Ao analisar os decretos de prisão e os argumentos do defensor, o magistrado considerou as alegações e deferiu o pedido de liberdade, sem imposição de medidas cautelares.

O desembargador ponderou que todos os agentes são colocados no mesmo nível de participação dos supostos crimes, o que é irregular. Também pontua que as investigações e pedidos de prisão são “decorrentes de testemunhos de pessoas ‘supostamente envolvidas’ e de Laudos que podem ser contestados, com possibilidade de apontamento futuro de inexistência de caracterização criminosa”, conta na decisão.

“Portanto, inicialmente, tenho que a decretação das prisões não está amparada legalmente. Pelo exposto, observo a plausibilidade de atendimento do pleito liberatório, razão pela qual D E F I R O a liminar vindicada em favor dos pacientes”, é a decisão do desembargador plantonista.

As investigações que ensejaram a operação são conduzidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em 6 inquéritos. Após a divulgação da senteça, a Polícia Militar emitiu nota e informou que dará suporte a todos os 62 agentes soltos neste sábado (2). Relatou que a decisão se estente a todo o grupo.

O comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Alexandre Mendes, informa que na tarde deste sábado (02.04), o Tribunal de Justiça já se manifestou a favor da soltura de todos os 62 militares custodiados em decorrência da Operação Simulacrum da Polícia Judiciária Civil.

Após a emissão do alvará de soltura estaremos apoiando os militares do interior no deslocamento para suas residências, permanecendo a disposição da justiça para os próximos desdobramentos. É importante ressaltar que a manutenção da segurança e da ordem pública demandam postura combativa e, neste mister, sempre enfrentaremos o crime e defenderemos os nossos heróis.

Não coadunamos com desvios de conduta e não aceitaremos que os direitos fundamentais, garantidos a qualquer cidadão, não alcancem os nossos policiais militares. Estamos muito além da pirotecnia com a certeza inefável de que o Poder Judiciário está atento e vigilante ao restabelecimento da Justiça.

Operação Simulacrum - A operação, que foi deflagrada na quinta-feira (31), pela Polícia Civil e MPE, tem como base investigações realizadas em 6 inquéritos policiais, já em fase de conclusão, sobre supostos ‘confrontos’ na região metropolitana. Com isso, foram expedidos 115 mandados judiciais, sendo 81 de prisão e 34 de busca e apreensão. Ao todo, 64 policiais foram presos.

Consta na investigação que os policiais militares envolvidos contavam com a atuação de um colaborador, que cooptava interessados na prática de falsos crimes patrimoniais, sendo que, na verdade, o objetivo era matar os participantes do crime.

“Após atraí-los a locais ermos, onde já se encontravam os policiais militares, eram sumariamente executados, sob o falso fundamento de um confronto. Os responsáveis pela apuração dos fatos reforçam que há farto conteúdo probatório que contrapõe a tese de confronto apresentada pelos investigados”, explicou a assessoria.


Autor: AMZ Noticias com Gazeta Digital


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