O genro do deputado estadual José Riva, e vereador por Cuiabá, João Emanuel Moreira (PSD) pivô da “Operação Aprendiz”, desencadeada pelo Ministério Público Estadual (MPE) em conjunto com o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (GAECO), anunciou, nesta terça-feira (3), sua renúncia ao cargo de presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, ele é acusado de falsificação e desvio de recursos do Legislativo Municipal.
Segundo o site Mídia News, em seu discurso, o vereador disse que deixa a presidência para que não digam que fez uso do cargo para evitar as investigações do MPE e que, “em nenhum momento, houve a intenção de denegrir a imagem da Câmara”.
"Desejo que os senhores nunca sejam tratados como eu fui. Gravado, montada a gravação, para ser, posteriormente, montada uma operação" “Para que meus pares não fiquem constrangidos e para que não se alegue que a presidência dessa Augusta Casa de Leis serve para evitar manobras e investigações, sejam de quaisquer naturezas, venho comunicar a minha destituição da honrosa função de presidente. Ao contrário daqueles que acreditam que podem tudo, eu acredito que nós temos que ter a consciência e pensar no coletivo. Temos que pensar nos vereadores, na Casa de Leis”, disse.
Emanuel afirmou, ainda, que encaminhou a Comissão de Ética os fatos que estão sendo objetos da investigação e que se colocou à disposição do MPE, inclusive a quebra de sigilo fiscal e bancário, tendo encaminhado todos os documentos solicitados pelo órgão.
“Quanto a citação da gravação ilegal e montada, quero afirmar que em nenhum momento houve a intenção de denegrir a imagem da Câmara ou diminuir ou ofender meus colegas. Quero afirmar que vossas excelências representam classes e pessoas diversas, porem peço escusas àqueles que se sentiram ofendidos. Desejo que os senhores nunca sejam tratados como eu fui. Gravado, montada a gravação, para ser, posteriormente, montada uma operação”, afirmou.
"Desse processo sairei maior do que entrei. O tempo da mentira é breve, mas o tempo da verdade é eterno" O vereador ressaltou que sairá de todo o processo investigativo maior do que entrou.
“Ainda que eu prove, pouco tempo depois, que não tenho dívidas com a probidade, ética e, sobretudo, com minha própria consciência, mas desejo o melhor para a população. Desse processo sairei maior do que entrei. O tempo da mentira é breve, mas o tempo da verdade é eterno”, finalizou.
Confusão
Após a leitura do discurso, teve início uma discussão entre os vereadores João Emanuel e Onofre Júnior (PSB), que se encontra como presidente em exercício da Câmara.
“Não existe 'autodestituição'. A palavra é renúncia. Ou não se torna válido nada do que o senhor disse”, afirmou Onofre.
João Emanuel rebateu, pedindo que “para que não tenha mais discussões e ilações”, o plenário vote os artigos 23 e 28 do Regimento Interno, que dispõe sobre a substituição de membro da Mesa Diretora e a realização de uma nova eleição para preencher cargo vago na mesa, respectivamente.
“Gostaria de sair desse processo com a integridade moral e a possibilidade de me defender”, disse. O vereador Chico 2000 pediu “questão de ordem” e defendeu que “a destituição tem um rito que tem que ser seguido”, porque, de outra forma, não terá valor legal.
Votação
Os vereadores votaram, na sequência, se o discurso de João Emanuel valeria como um pedido de renúncia da Presidência da Câmara. Foram 17 votos favoráveis – número mínimo necessário –, sete contra e uma ausência.
Com isso, haverá uma eleição suplementar só para o cargo de presidente da Casa, não havendo necessidade de eleição de uma nova Mesa Diretora.
Autor: Jornal da Noticia com Mídia News