O deputado federal Pedro Henry (PP) está de volta ao staff do governador Silval Barbosa (PMDB) após cerca de dois meses afastado para debater na Câmara Federal para o direcionamento de suas emendas ao Orçamento Geral da União (OGU). Na próxima semana, ele reassume oficialmente a secretaria estadual de Saúde, onde executará R$ 982,4 milhões durante 2012.
Com uma postura de coragem e enfrentamento, o polêmico progressista ganhou mais destaque que o próprio governador em muitos momento de seu primeiro ano à frente da pasta. Entre as ações que lhe renderam mais publicidade, tanto negativa quanto positiva, esteve a decisão de transferir a gestão de vários hospitais administrados pelo Estado a Organizações Sociais de Saúde (OSSs).
Henry enfrentou a resistência, em especial, de médicos e enfermeiros, além de uma ala política que defende a manutenção da responsabilidade pelo setor sob o poder público. Mesmo assim o secretário não recuou e chegou a desrespeitar decições da Justiça, como a que determinou o cancelamento do contrato com a OSS que venceu a licitação para administrar o Hospital Metropolitano, em Várzea Grande, primeira unidade a adotar o sistema.
Por fim, Henry parece ter vencido a queda de braço. Apesar de alguns focos de reclamações isolados, a iniciativa hoje é elogiada devido à aparente melhora do atendimento nas unidades "terceirizadas". O sucesso fortalece ainda mais o próximo passo que o deputado-secretário pretende dar: a estadualização dos pronto socorros de Cuiabá e Várzea Grande.
A medida, no entanto, ainda anda a passos de tartaruga. De um lado as prefeituras dos dois maiores municípios do Estado podem, enfim, se livrar do fardo de comandar das unidades de saúde. Do outro o Estado se compromete a assumir o comando e não errar mais. Acontece que o setor da Saúde, a exemplo da Segurança Pública, ainda é um dos pontos mais frágeis do Governo, em especial no interior do Estado, onde as cidades cobram a construção de Hospitais Regionais para suprir a demanda "abandonada" por unidades particulares que fecharam as portas.
Mesmo com todas as dificuldades, na secretaria, Henry aproveita a oportunidade de recuperar sua imagem desgastada devido ao envolvimento em escândalos como o da Máfia das Sanguessugas e do Mensalão, do qual, inclusive, é réu sob a acusação de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ainda assim, o deputado tem grande influência no Governo, tanto que ele próprio estabeleceu a data de sua saída e retorno à pasta.
Autor: RDNews