Quarta-Feira, 10 de Junho de 2026

Novas provas interrompem 1ª audiência sobre propinas a Silval Barbosa e seus aliados




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A primeira audiência de instrução e julgamento da ação penal relacionada à operação Sodoma, que apura a suspeita de recebimento de propina por agentes políticos para concessão de incentivos fiscais, foi adiada pela juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda.

A magistrada acolheu pedido dos advogados de defesa que solicitaram vistas para analisar novos documentos encaminhados pela Delegacia Fazendária. Novos documentos e depoimentos complementares somam seis anexos com mais de mil páginas que ainda não foram analisadas.

Por isso, a audiência foi transferida para os dias 29 de janeiro e nos dias 1º, 5,10 e 17 de fevereiro a partir das 9h30.

No primeiro dia de audiência estava programado para ocorrer o depoimento do empresário João Batista Rosa, um dos sócios do grupo Tractor Parts, que confessou na Polícia Civil ter pago R$ 2,5 milhões ao ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf, para ter suas empresas incluídas no Prodeic (Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial), e os empresários do ramo de factoring Frederico Müller Coutinho e Filinto Müller Coutinho.

Também estava marcado o depoimento das testemunhas Cibele de Aguiar Bojikian, Ariadina Araújo da Costa, Geiziane Rodrigues Antelo, Marcos Flávio de Oliveira, Narjara de Barros, Terezinha de Jesus Souza Coelho e Florindo José Gonçalves.

São réus na ação penal o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e os ex-secretários de Estado Pedro Nadaf e Marcel de Cursi, o ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa, Sílvio Cézar Corrêa de Araújo, o procurador do Estado aposentado Francisco Andrade de Lima Filho e a funcionária da Fecomércio (Federação do Comércio), Karla Cecília de Oliveira Cintra.

Todos respondem pelos crimes de concussão (praticado por funcionário público, em que este exige, para si ou para outrem, vantagem indevida), extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Os minutos que antecederam a audiência foram marcados por bastante polêmica. Isso por conta da decisão da juíza Selma Rosane Arruda de proibir a imprensa de registrar fotos ou gravar imagens do ex-secretário Marcel de Cursi.

Responsável pela defesa do acusado, o advogado Roberto Tardelli afirmou que a medida serve para evitar prejulgamento e garantir a presunção da inocência do acusado.

“Tem que proteger a testemunha de qualquer espetacularização. Colocar o que há de mais importante da imprensa cuiabana no depoimento pode, eventualmente, intimidar a testemunha; Estamos diante de um processo que deixou de ser um processo e passou a ser uma carnificina”, disse.

Por outro lado, a defesa de Silval Barbosa, conduzida pelo advogado Francisco Faiad, lamentou que a audiência não tenha sido concluída, pois aguarda celeridade no processo para requerer a liberdade ao ex-governador.

“Nós queríamos que as testemunhas fossem ouvidas hoje porque não há nada que possa comprometer o Silval. Na hora da audiência, chegaram seis novos volumes encaminhados pela Delegacia Fazendária sem a defesa de qualquer um dos acusados ter conhecimento. Fica inviável exercer qualquer tipo de defesa e achamos melhor acolher a mudança”, disse.


Autor: Rafael Costa com Diário de Cuiabá


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