Cerca de 50 manifestantes ocupam neste momento a sede da Casa Civil do Governo de Mato Grosso, no Palácio Paiaguás, em Cuiabá. Eles são moradores do Jardim Canaã, bairro formado a partir de uma invasão, e correm o risco de serem despejados desta área.
Os moradores cobram uma posição do governo sobre a ordem de reintegração de posse emitida em favor do suposto dono no terreno em que vivem há cerca de 3 anos. Os manifestantes querem que o governo assine um documento que garanta que eles não serão despejados.
O grupo esteve ontem na Assembleia Legislativa em busca do apoio dos parlamentares e, na manhã desta quinta-feira (16), na Câmara Municipal. A intenção é formar uma comissão para dialogar com o secretário-chefe da Casa Civil, José Lacerda, e entregar-lhe uma carta denúncia.
Confira a carta na íntegra:
CARTA-DENÚNCIA:
Presidenta Dilma
Governador Silval Barbosa
Prefeito de Cuiabá Chico Galindo
Presidente da Câmara Municipal Júlio Pinheiro
Presidente da Assembléia Legislativa de Mato Grosso José Riva
Deputado Estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Mato Grosso Emanuel Pinheiro
Presidente da Câmara dos Deputados Marco Maia
Presidente do Senado José Sarney
Pedimos aos senhores um pouco de atenção e sensibilidade para nos ouvir. O que vamos relatar aqui não é um caso isolado. Moradores da ocupação urbana Jd. Nova Canaã, que fica na periferia de Cuiabá (MT), estão há dias apavorados, porque tiveram uma informação, ainda extraoficial, de que serão despejados a qualquer momento. Nem bem assistimos a tragédia de Pinheirinho, em São Paulo, e outros dramas semellhantes começam a se espalhar pelo país. Nova Canaã é um deles. Sim, porque este problema é constante, não se resolve. Trata-se do enorme déficite de moradia. Ter uma casa própria é um direito de poucos brasileiros e brasileiras. Pinheirinho é Nova Canaã e vice-versa. São 266 famílias, formadas por trabalhadores e trabalhadoras, gente desempregada, mães solteiras, idosos, deficientes e pelo menos 80 crianças. Para onde vamos todos nós se houver o despejo? O que queremos é evitar a reintegração da posse já autorizada desde agosto do ano passado, pela juíza Valdimara Galvão Ramos Paiva, titular da 21ª Vara Cível de Cuiabá. Não há certeza de que a terra seja, de fato, do suposto proprietário, Armindo Sebba Filho. A documentação que ele apresenta não é confiável, pelo menos a princípio. Não podemos esperar para ver o que vai acontecer. É preciso de uma intervenção junto à Nova Canaã para que não sejam demolidas as casas que essas famílias ergueram com tanta dificuldade e nem destruídos seus pertences. São casas simples, algumas de alvenaria, outras de madeirite. Esta carta denúncia tem a intenção de tornar mais uma vez essa situação pública e reivindicar que a Polícia Militar não haja até que se tenha uma solução pacífica. Não queremos mais uma tragédia anunciada.
MORADORES DA OCUPAÇÃO URBANA JD. NOVA CANAÃ
Cuiabá, 14 de fevereiro de 2012.
Autor: Olhar Direto