Policiais militares reclamaram da prisão de seis de seus colegas de corporação em consequência de suspeita de participação na chamada “liga da justiça”, atuante em Várzea Grande e, segundo a Polícia Civil, responsável pela morte de pelo menos 17 pessoas.
Os PMs foram presos pela Polícia Civil, e a indisposição conhecida entre as duas forças policiais ficou evidentemente acirrada em comentários em grupos de WhatsApp e posts no Facebook.
Neste último, aliás, maior mídia social de nossos dias, aconteceu o maior número de manifestos e desabafos contra o que alguns deles chamaram de “busca por bode expiatório”, para dar “resposta à sociedade por homicídios que não conseguem resolver”.
Diversas patentes, de soldados a oficiais, manifestaram “solidariedade” no Facebook ao subtenente Claudemir Maia Monteiro, cabo Helbert de França Silva e aos soldados Jonathan Teodoro de Carvalho, Pablo Plínio Mosqueiro Aguiar, Ueliton Lopes Rodrigues e Vagner Dias Chagas, todos presos pela Polícia Civil sob a suspeita de participação em no mínimo cinco dos citados 17 homicídios.
Em tons que variam da ironia pura e simples até às falas mais exaltadas, a maioria repudiou a operação e a fala do atual secretário de Segurança Pública, Rogers Elizandro Jarbas, que relacionou, durante a coletiva de terça-feira, pelo menos 40% dos homicídios sistêmicos que vinham acontecendo em Várzea Grande à atuação da tal “liga da justiça”, da qual os PMs presos fariam parte.
Diferentemente do titular da Sesp, que respondeu à pergunta -- em outra coletiva, cerca de um mês atrás -- sobre como fazer para debelar o alto índice de assassinatos ocorridos este ano nas maiores cidades do Estado, dizendo que para ele tanto faz se os mortos tinham ou não envolvimento com o crime (“nossa prioridade é solucionar as autorias de assassinato”), os PMs em peso sempre fazem questão de lembrar que a maioria das vítimas da “liga” estaria envolvida com crimes como assalto, roubo e tráfico de drogas.
O mal-estar entre as forças parece ter sido agravado pela fala do delegado-geral da Polícia Civil, Adriano Peralta, argumentando ser a “Operação Mercenários” uma das “três mais importantes da história do estado” – e que seus desdobramentos podem vir a se comparar com os das operações Sodoma e Arca de Noé, das Polícias Civil e Federal.
Para os PMs indignados das mídias sociais, isso seria um disparate, pois eles não deviam ser comparados a “políticos ladrões, que passam a vida roubando sentados em gabinetes de terno e gravata”, enquanto os PMs “dão a cara para bater” ao enfrentar a bandidagem em bairros perigosos, correndo o risco de não voltar para suas famílias todos os dias. Lembraram também que o precedente do enfrentamento armado faz parte do trabalho deles.
COMANDANTE GERAL -- Já o comandante-geral da corporação, coronel-PM Gley Alves de Almeida, resumiu-se, na mesma ocasião da coletiva, a dizer que os militares envolvidos nos crimes não representam a corporação e que a Corregedoria da PM colabora e acompanha o andamento das investigações da Polícia Civil envolvendo alguns de seus comandados.
Autor: RodivaldoRibeiro com DiariodeCuiaba