Mato Grosso é um dos estados brasileiros com o menor número de médicos especialistas. Segundo dados do Cadastro Nacional de Especialistas, do Ministério da Saúde, Mato Grosso tem hoje 5.191 especialistas, com uma média, portanto, de menos de 87 profissionais para cada 100 mil habitantes.
A média está abaixo da nacional, que é de 119 médicos para cada 100 mil habitantes. O Brasil conta com 242.699 médicos especialistas ou com título de especialista ou residência.
Em relação à região Centro Oeste, Mato Grosso é o estado com a menor média. Em Goiás, há 104 especialistas para cada cem mil habitantes; em Mato Grosso do Sul, 115; e, no Distrito Federal, 275 médicos a cada 100 mil habitantes.
Entre as especialidades com menos profissionais em Mato Grosso está a psiquiatria, com 60 médicos – uma média de apenas dois médicos para cada 100 mil habitantes. Neurologistas e neurocirurgiões têm a mesma quantidade: 36 no total, ou 1,1 profissional a cada 100 mil habitantes.
Cirurgiães cardiovasculares são nove, sendo menos de um (0,297) a cada cem mil pessoas. Especialista em neurologia pediátrica há apenas um médico, ou 0,03 a cada cem mil habitantes.
Dona Marinete Alves sabe bem o que é vivenciar na pele a falta de especialistas. Ela conta que o pai, Romoaldo Carvalho Amil, sofreu um acidente vascular cerebral. Ela diz que marcou uma consulta para neurologista no “Postão” de Várzea Grande. Quase um ano depois, e com o pai já morto, é que a consulta foi liberada. “Isso é um absurdo, a pessoa ter que esperar mais de 10 meses por uma consulta. Nunca vou saber se meu pai teria algum progresso com a ajuda de especialista, ele morreu e foi ignorado pela saúde pública”, lamentou.
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso confirmou que realmente o Estado sofre com a falta de especialistas. Contudo, a presidente do conselho, Maria de Fátima de Carvalho Ferreira, explicou que todo o atendimento de saúde deveria ser organizado de acordo com o nível de complexidade.
Segundo ela, a maior demanda de médicos deve ser concentrada na atenção básica, onde 80% a 90% dos casos podem ser resolvidos. No caso do especialista, ele trataria apenas da complexidade. “Se eu tenho uma atenção básica sem estrutura, o paciente acaba tendo complicações e precisando ainda mais de especialidades. A atenção básica de qualidade resolveria muitos problemas na saúde, inclusive a espera por consultas com médicos especialistas”, afirmou Maria de Fátima.
O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso também confirmou a carência de especialistas na rede pública de saúde. O quadro de profissionais é mais afetado, conforme o sindicato, em relação às áreas de neurologia, pediatria e psiquiatria. A falta de profissionais acaba sendo sentida na base pelos usuários do Sistema Único de Saúde.
ESPECIALIDADES – Em Mato Grosso, a especialidade de ginecologista possui 11 médicos a cada 100 mil habitantes, num total 355 profissionais. Pediatra são 10 profissionais a cada 100 mil habitantes, totalizando 326. Ortopedista e traumatologia são 202 profissionais uma média de seis a cada cem mil habitantes. São 151 oftalmologistas e cardiologistas em todo o Estado sendo menos de cinco profissionais a cada cem mil habitantes. Dermatologia são 2,6 profissionais a cada 100 mil habitantes num total de 80 médicos. Otorrinolaringologista são 66 médicos, dois a cada 100 mil habitantes. Pneumologista 24 sendo menos de um -0,7 a cada cem mil habitantes. Mastologista e nutricionista são 15, menos de um - 0,494 médicos para cada cem mil pacientes.
BRASIL - O atendimento médico especializado está proporcionalmente mais concentrado nas regiões Sudeste e Sul. Entre os municípios com maiores índices os estados do Sudeste – Rio de Janeiro (178), São Paulo (158) e Espírito Santo (152) – e o Rio Grande do Sul (169). Segundo dados da plataforma, mais da metade dos médicos com especialidades (54%) estão localizados na região Sudeste, (154 por 100 mil habitantes). Já a proporção do Norte é a menor do país, de 50 especialistas por 100 mil habitantes.
Autor: Aline Almeida com Diário de Cuiaba